O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou, na terça-feira (7), a edição 2026 da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat), colocando em destaque os riscos psicossociais no ambiente profissional. Com o tema voltado à saúde mental, a iniciativa busca ampliar o debate sobre condições de trabalho e incentivar práticas que promovam bem-estar e segurança entre trabalhadores.
Durante o evento, o governo apresentou um novo Manual de Interpretação e aplicação do capítulo 1.5 da NR-1, que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O material tem como objetivo orientar empregadores e profissionais na adoção de medidas de prevenção, incluindo a identificação e o enfrentamento de fatores psicossociais nas rotinas de trabalho.
Outra ação anunciada foi a criação de um curso sobre riscos psicossociais no ambiente laboral. A formação será oferecida em formato remoto, com acesso aberto ao público, e contará com certificado ao final. A proposta é ampliar o conhecimento sobre o tema e facilitar o acesso à qualificação.
Ao longo da cerimônia, autoridades destacaram o avanço dos transtornos mentais relacionados ao trabalho. Dados reunidos por órgãos oficiais indicam aumento expressivo desses casos nos últimos anos, com centenas de milhares de afastamentos ligados a ansiedade, depressão e estresse. O cenário reforça a necessidade de políticas voltadas à prevenção e à promoção de ambientes mais saudáveis.
O ministro do Trabalho e Emprego enfatizou que a melhoria das condições laborais depende de um esforço coletivo e contínuo. “Nós precisamos de todos irmanados num processo de melhoria sistêmica do ambiente de trabalho. Só isso poderá levar, de fato, a um processo de fortalecimento de trabalhadores e trabalhadoras que não permita, a partir do ambiente de trabalho eventualmente hostil, levar ao adoecimento”, afirmou o ministro.
Representantes de diferentes instituições também ressaltaram que os riscos psicossociais vão além de questões individuais e estão ligados à forma como o trabalho é estruturado. Problemas como assédio, metas excessivas, sobrecarga, discriminação e insegurança no emprego foram apontados como fatores que impactam diretamente a saúde mental dos trabalhadores.
“A orientação salva vidas”, afirmou um dos participantes ao defender o fortalecimento de uma cultura de prevenção baseada em informação e conscientização. Já outro representante destacou que ignorar o ambiente social dentro das organizações compromete não apenas o bem-estar, mas também a gestão.
Durante o evento, também houve espaço para discussões técnicas, com palestra sobre identificação e enfrentamento dos riscos psicossociais nas empresas. Especialistas abordaram estratégias para prevenir situações que possam desencadear adoecimento mental no ambiente de trabalho.
A campanha seguirá ao longo de 2026 com ações de conscientização voltadas a empregadores, trabalhadores e à sociedade em geral. A proposta é estimular mudanças culturais e reforçar a importância da prevenção de acidentes e doenças ocupacionais.
(Com informações de GovBr)
(Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)







