Lula defende redução da jornada e apresenta medidas para renegociar dívidas

Em pronunciamento em cadeia nacional na noite desta quinta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou uma mensagem em homenagem ao Dia do Trabalhador, destacando medidas do governo voltadas à renda, ao emprego e ao alívio do endividamento das famílias, além de defender a redução da jornada de trabalho no país.

Ao abrir sua fala, Lula direcionou o discurso aos trabalhadores que enfrentam rotinas intensas e dificuldades financeiras. Ele afirmou que o governo encontrou um cenário de alto endividamento e anunciou o lançamento de uma nova etapa do programa de renegociação de dívidas.

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“Nós encontramos o Brasil e os brasileiros endividados. A dívida das famílias cresceu por anos e agora está sufocando uma parte da sociedade brasileira. Por isso, vamos lançar, na próxima segunda-feira, o Novo Desenrola Brasil, um conjunto de medidas para ajudar a resolver a vida financeira das famílias endividadas.”

Segundo o presidente, o programa permitirá a renegociação de diferentes tipos de dívidas, incluindo cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e financiamento estudantil, com juros reduzidos e descontos expressivos. “Os brasileiros endividados terão juros mais baixos, de no máximo 1,99%, e descontos de 30% até 90% no valor da dívida”, afirmou, acrescentando que também será possível sacar parte do saldo do FGTS para auxiliar na reorganização financeira.

Lula também fez um alerta em relação às apostas on-line e anunciou uma trava para quem aderir ao programa. “O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet”, disse, ao explicar que os participantes ficarão bloqueados por um ano nessas plataformas. Ele ainda criticou os impactos sociais das apostas, especialmente sobre as famílias.

Redução da jornada

No campo das relações de trabalho, o presidente destacou o envio ao Congresso Nacional de um projeto de lei que prevê a redução da jornada semanal para até 40 horas, com dois dias de descanso e sem redução salarial. Para ele, o modelo atual já não condiz com a realidade contemporânea.

“Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia”, afirmou.

Ao defender o fim da escala 6×1, Lula ressaltou os ganhos em qualidade de vida. “Mais tempo para a família, para acompanhar o crescimento dos filhos, estudar, cuidar da saúde e descansar”, disse, acrescentando que a medida também tende a fortalecer a economia ao ampliar o bem-estar da população.

Cenário internacional

O presidente também abordou o cenário internacional, citando os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis e o custo de vida. Segundo ele, o governo adotou medidas para conter esses impactos. “Com muito esforço, tiramos os impostos dos combustíveis, tomamos uma série de medidas urgentes para conter o aumento dos preços, garantir o abastecimento e aliviar o peso da guerra sobre as famílias brasileiras”, afirmou.

Na avaliação de Lula, o contexto global reforça a necessidade de proteger os interesses nacionais. “O Brasil é grande demais para baixar a cabeça. O Brasil não aceita ser quintal de ninguém”, declarou.

Resultados e planos para o futuro

Ao fazer um balanço das ações do governo, o presidente citou indicadores que, segundo ele, demonstram avanços recentes. “Temos a menor inflação acumulada em quatro anos, a menor taxa de desemprego, e o rendimento médio dos trabalhadores é o maior da história do Brasil”, disse. Ele também mencionou a valorização do salário mínimo, mudanças no Imposto de Renda, antecipação do 13º de aposentados e medidas de alívio no custo de vida, como políticas voltadas à energia elétrica e ao gás de cozinha.

Apesar disso, reconheceu que os desafios permanecem. “Tudo isso ainda é pouco diante das necessidades das famílias brasileiras”, afirmou.

Lula também criticou setores que, segundo ele, resistem a avanços sociais e econômicos. “Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra”, disse, ao mencionar a atuação de grupos que buscam manter privilégios.

Encerrando a mensagem, o presidente reforçou o compromisso com trabalhadores de diferentes perfis e ocupações. “Você que vive do próprio trabalho, seja ele qual for, tenha uma certeza neste 1º de maio: o Governo do Brasil está do seu lado”, concluiu.

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

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