Funcionários desejam continuar no home office após pandemia, diz estudo

Estudo da FDC com a Grant Thornton com 705 profissionais indica que 54% deles irão pedir aos gestores pela possibilidade de trabalhar remotamente após a crise

Os profissionais brasileiros sentem falta de interagir presencialmente com os colegas, mas perceberam que não precisam estar fisicamente com eles para executar um projeto ou realizar o trabalho do dia a dia. Quase 40% deles sente, inclusive, que a produtividade em casa é similar àquela que apresentavam no escritório, ao lado dos colegas. Apesar de um quinto deles relatar a preocupação a respeito de como serão avaliados no home office por seus chefes diretos, mais de 54% afirmaram que irão pedir à gestão pela continuidade do trabalho remoto no pós pandemia. Essas conclusões estão em um novo estudo, realizado por Fabian Salum, professor da área de Estratégia e Inovação da Fundação Dom Cabral, em parceria com a consultoria e auditoria Grant Thornton.

Os resultados

O estudo ouviu 705 profissionais, de 18 estados brasileiros, sendo 46% de 24 a 39 anos e 41% de 49 a 58 anos. Um quinto dos entrevistados ocupa uma posição de gestão, 5% são CEOs e 16% gerentes. Mais de 57% atuam no setor de serviços, 17% na indústria, 5,6% no varejo e 8% no agronegócio. A captação dos dados ocorreu entre 23 de março e 5 de abril.

As respostas, segundo análise do coordenador da pesquisa, Fabian Salum, indicam que não há um consenso a respeito da efeitividade do trabalho remoto para as pessoas e para as empresas. “O que vemos, considerando um contexto de isolamento social, é que a experiência com home office gerou novas percepções, para indivíduos e empresas, mas não se sabe ainda como as mudanças de agora seguirão depois”, afirma. Entre as percepções novas, está a discordância total para 62% dos entrevistados de que precisam se encontrar com os colegas em “cafés, bibliotecas, coworking” para “trabalhar remotamente”.

Metade deles avalia que o espaço que possuem em casa, bem como as ferramentas disponíveis, são suficientes para trabalhar em casa. Nos comentários abertos da pesquisa, considerando 612 respondentes, apenas 15% relataram ter tido seu desempenho prejudicado diretamente por limites de infraestrutura e tecnologia. “Isso não significa dizer que eles não veem melhorias.

A análise qualitativa indica que há uma preocupação maior com a segurança das informações, com ataques cibernérticos e se essas ferramentas digitais de comunicação são seguras”, diz Salum. Mais de 53% do total da amostra, aliás, disse que precisou se envolver mais, durante o home office na pandemia, em grupos de comunicação interna (mensagens, chats, redes sociais e chamadas).

Os desafios

Entre os desafios apontados, apareceram a resistência de gestores e a não adequação da cultura empresarial ao home office. Somente um terço dos respondentes afirmou que seu gestor ou líder é “eficaz em ajudá-lo a lidar com o trabalho remoto”. “O home office, que veio forçado para muitas empresas, não exige só equipamentos. Mas também uma nova forma de liderar, de diálogo, de comunicação e para avaliar as pessoas, por exemplo”, diz Salum.

Ele cita uma diretora de RH de uma grande consultoria britânica que reconheceu a importância, por exemplo, do gesto de “abrir a câmera” durante uma reunião para se “aproximar” de seus liderados. “Embora não haja um consenso do impacto prático, com certeza a experiência na pandemia irá criar novos modelos de gestão no pós crise e novos protocolos de trabalho, comunicação e colaboração”, afirma Salum.

Fonte: Valor Econômico

 

 

 

Compartilhe:

Leia mais
Chinelo - Antonio Neto e Cosme Nogueira fundação Fesmig
CSB, Sinab e CSPM celebram criação da Fesmig - Federação dos Servidores de Minas Gerais
STF reverte reforma previdência para servidores
STF forma maioria para reverter pontos da Reforma da Previdência para servidores
Imagem CSB (28)
CSB NA 112ª CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DO TRABALHO - OIT 2024
Sticmpel campanha salarial 2024-2025
Trabalhadores da Construção e Mobiliário de Pelotas iniciam campanha salarial 2024/2025
Apoio Financeiro a trabalhadores empresas calamidade RS
Governo abre cadastro para Apoio Financeiro a trabalhadores atingidos por calamidade no RS
home office trabalho híbrido estudo
Trabalho híbrido melhora satisfação no emprego e não afeta produtividade, diz estudo
reunião centrais rs e oit
Centrais e OIT discutem impacto das enchentes no mercado de trabalho do RS
plano erradicação trabalho escravo será atualizado
Plano para Erradicação do Trabalho Escravo será atualizado após 16 anos
podcast fetrarod
Fetrarod lança podcast para discutir temas de interesse dos rodoviários; assista aqui
Manifesto contra PL do estupro
Mulheres sindicalistas divulgam manifesto contra PL do Estupro (PL 1904/24)