Programas ligados à redução do endividamento, à ampliação da renda disponível e à melhoria das condições de trabalho contribuíram para a recuperação da aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15).
O levantamento mostra que 48% dos entrevistados aprovam a gestão, enquanto 47% a desaprovam. É a primeira vez desde o fim de 2024 que a avaliação positiva aparece numericamente acima da negativa. Outros 5% não souberam ou preferiram não responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
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Desde abril, a aprovação do governo acumula crescimento de cinco pontos. Para o diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Felipe Nunes, o avanço está relacionado à percepção de resultados concretos entre eleitores que não se identificam diretamente com os campos lulista ou bolsonarista.
“Estamos falando de redução do endividamento por meio do Desenrola, expectativa de melhor condição de trabalho com a discussão da escala 6×1 e um aumento no padrão de vida, se considerarmos a melhora marginal por ocasião do aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda.”, afirma.
Medidas econômicas alcançam eleitorado independente
De acordo com a análise apresentada pela Quaest, parte do eleitorado independente avalia o governo de maneira mais pragmática, observando principalmente os efeitos das políticas públicas sobre o orçamento familiar, o nível de endividamento e as condições de trabalho.
Nesse cenário, o Desenrola aparece como uma das medidas associadas à recuperação da popularidade presidencial. O programa permite a renegociação de determinadas dívidas de trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos mensais, o equivalente a R$ 8.105.
Podem ser incluídos débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contratados até 31 de janeiro de 2026, desde que estejam atrasados por um período entre 90 dias e dois anos.
A avaliação positiva do Novo Desenrola aumentou entre maio e julho. O percentual de entrevistados que classificam o programa como uma boa iniciativa passou de 50% para 55%.
No mesmo período, a parcela que considera o programa uma má ideia caiu de 23% para 21%. Os que avaliam que a medida ajuda apenas parcialmente passaram de 22% para 20%.
Número de entrevistados com muitas dívidas diminui
A pesquisa também identificou mudanças na situação financeira declarada pelos participantes. Em maio, 28% afirmavam possuir muitas dívidas. Em julho, esse índice recuou para 21%.
Ao mesmo tempo, a proporção de pessoas que disseram não ter dívidas aumentou de 27% para 31%.
Os dados indicam uma melhora na percepção sobre o endividamento das famílias, ainda que o levantamento não atribua toda a variação exclusivamente ao programa de renegociação.
Uma pesquisa Datafolha realizada em junho também havia registrado queda no pessimismo em relação à economia. A parcela de brasileiros com expectativa negativa passou de 35% para 26%.
Isenção do IR melhora percepção sobre renda
A ampliação da isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais foi outra medida associada ao aumento da aprovação do governo, especialmente entre pessoas de renda média.
Entre os 32% dos entrevistados que disseram ter sido beneficiados pela mudança, caiu a proporção daqueles que afirmavam não ter percebido diferença no orçamento. Em fevereiro, esse grupo representava 50%. Em julho, o índice passou para 39%.
A parcela que declarou ter registrado um pequeno aumento na renda disponível avançou de 32% para 35%. Já os entrevistados que perceberam uma elevação significativa passaram de 15% para 24%.
Além da isenção para quem recebe até R$ 5 mil, a reforma estabeleceu descontos para contribuintes com rendimentos mensais entre R$ 5 mil e R$ 7.350.
Debate sobre escala 6×1 mobiliza trabalhadores jovens
A discussão sobre o fim da escala 6×1 também aparece entre os fatores que teriam contribuído para melhorar a avaliação do governo, principalmente entre o público jovem.
Segundo Felipe Nunes, esse segmento demonstrou maior entusiasmo com a possibilidade de mudanças na organização do trabalho. A proposta prevê o encerramento da escala de seis dias trabalhados para um de descanso e a redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais.
O apoio à redução da jornada permanece elevado. Em julho do ano passado, 69% dos entrevistados eram favoráveis à mudança. O mesmo percentual foi registrado no levantamento atual. Em dezembro, quando o tema ganhou maior repercussão nas redes sociais, o apoio chegou a 72%.
No período de um ano, a rejeição à proposta diminuiu de 26% para 22%. Já os entrevistados que não se posicionam nem a favor nem contra passaram de 3% para 5%.
A redução da jornada e o fim da escala 6×1 foram aprovados pela Câmara dos Deputados em maio. A proposta aguarda agora uma decisão do Senado.
Aprovação cresce em diferentes grupos do eleitorado
A melhora na avaliação do governo não ficou concentrada em apenas um segmento. Segundo a análise da Quaest, ocorreram pequenas variações positivas entre jovens, pessoas de renda média, homens e mulheres.
Entre os jovens, o avanço foi relacionado principalmente ao debate trabalhista. Entre os trabalhadores de renda intermediária, a mudança na tabela do Imposto de Renda teve maior peso. Já a recuperação observada entre homens e mulheres foi associada ao impacto do Desenrola sobre o endividamento.
A combinação dessas medidas ajuda a explicar por que a aprovação alcançou o melhor resultado desde o fim de 2024, mesmo sem um crescimento expressivo dentro de apenas um grupo social.
Lula aparece à frente em cenário de segundo turno
A pesquisa também avaliou as intenções de voto para a eleição presidencial. Em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, Lula teria 45% das intenções, diante de 37% do adversário.
Brancos, votos nulos e entrevistados que afirmam não pretender votar somam 14%. Outros 4% estão indecisos.
Entre junho e julho, Lula passou de 48% para 57% entre os eleitores de esquerda que não se identificam diretamente com o lulismo. Entre os independentes, variou de 12% para 13%.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, caiu de 44% para 32% entre os entrevistados de direita não bolsonarista. No grupo classificado como bolsonarista, passou de 50% para 45%.
A margem de erro varia conforme o segmento analisado: cinco pontos percentuais entre a esquerda não lulista, quatro entre os independentes, seis entre os bolsonaristas e cinco entre os eleitores de direita não bolsonarista.
“A direita não bolsonarista está entendendo que, contra o Flávio, as chances de o Lula vencer a eleição estão aumentando. Essa parcela do eleitorado está começando a deixar de ter a intenção de votar no Flávio e agora se volta a outros candidatos”, explica Felipe Nunes.
(Com informações de Folha de S.Paulo)
(Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)







