Um grupo de 26 ex-funcionários da Meta entrou com uma ação judicial nos Estados Unidos acusando a empresa de utilizar inteligência artificial em um processo de demissões que teria atingido, de maneira desproporcional, trabalhadores com deficiência ou que precisaram se afastar por motivos de saúde.
A Meta, responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, nega as acusações. A companhia afirma que as decisões relacionadas à gestão de pessoal e à reorganização de suas equipes foram tomadas por pessoas, e não por sistemas automatizados.
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O processo foi apresentado nesta segunda-feira (13) a um tribunal federal de Oakland, na Califórnia. Os autores da ação mantêm suas identidades sob anonimato e vivem em seis estados norte-americanos, entre eles Califórnia e Nova York, além do Distrito de Columbia.
Sistema de IA teria considerado produtividade e uso de ferramentas
De acordo com os ex-funcionários, a Meta teria empregado um sistema de inteligência artificial para auxiliar na seleção dos profissionais incluídos em uma rodada de demissões em massa.
Entre os fatores que teriam sido considerados pela ferramenta estariam indicadores de produtividade e a frequência com que os funcionários utilizavam recursos de inteligência artificial no trabalho.
A acusação sustenta que esses critérios colocaram em desvantagem pessoas que precisaram se ausentar por problemas de saúde, licença médica, deficiência ou gravidez. Na avaliação dos autores da ação, os afastamentos teriam afetado os indicadores usados para classificar o desempenho dos trabalhadores.
Com isso, funcionários protegidos por normas contra discriminação e retaliação teriam ficado mais expostos aos desligamentos.
Trabalhadores apontam possível discriminação nas demissões
Os ex-funcionários alegam que a empresa violou legislações federais e estaduais dos Estados Unidos destinadas a proteger trabalhadores com deficiência, gestantes e pessoas que necessitam de licença médica.
O ponto central da ação é saber se a eventual utilização de sistemas automatizados na avaliação dos empregados teria reproduzido ou ampliado desigualdades existentes no ambiente de trabalho.
Embora ferramentas de inteligência artificial possam processar grandes volumes de informações, a denúncia indica que critérios aparentemente objetivos podem gerar consequências diferentes para trabalhadores que enfrentam condições específicas de saúde ou precisam exercer direitos relacionados ao afastamento profissional.
O processo também questiona sobre a transparência nas decisões empresariais. Segundo a acusação, os funcionários não teriam informações suficientes sobre o peso atribuído a cada indicador nem sobre a forma como a tecnologia teria participado da definição dos cortes.
Meta nega que inteligência artificial tenha escolhido demitidos
A Meta rejeitou as alegações apresentadas pelos antigos empregados. Em manifestação divulgada na terça-feira (14), um porta-voz declarou que as decisões sobre organização interna e gestão dos trabalhadores foram e continuam sendo tomadas por pessoas.
A empresa classificou as acusações como infundadas e negou que a inteligência artificial tenha sido responsável pela escolha dos profissionais desligados.
A posição da companhia contrasta com o relato dos ex-funcionários, que atribuem ao sistema automatizado um papel relevante na análise da produtividade e na elaboração das listas de demissão.
Meta demitiu cerca de 8 mil funcionários durante reestruturação
As acusações foram apresentadas após uma rodada de cortes iniciada em maio. A Meta começou a demitir aproximadamente 8 mil funcionários como parte de uma reestruturação voltada ao aumento dos investimentos em inteligência artificial.
Os desligamentos representaram cerca de 10% do quadro da companhia, que contava com aproximadamente 78,9 mil trabalhadores no fim de 2025.
As primeiras notificações foram encaminhadas a empregados da Ásia. Posteriormente, os cortes alcançaram funcionários nos Estados Unidos. Até o momento mencionado na ação, não havia confirmação sobre possíveis impactos entre trabalhadores da Meta no Brasil.
Antes das demissões, a companhia já havia anunciado que cerca de 7 mil empregados seriam transferidos para áreas relacionadas ao desenvolvimento de inteligência artificial. Relatos internos indicaram que as mudanças não eram opcionais, o que teria elevado a tensão entre as equipes.
Em mensagem enviada aos funcionários, a diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, afirmou que a reorganização fazia parte dos esforços para ampliar a eficiência da empresa e compensar os elevados gastos com tecnologias de IA.
Investimentos em inteligência artificial pressionam estrutura da empresa
A reestruturação acontece em um período de expansão dos investimentos da Meta em infraestrutura tecnológica. A companhia vem direcionando recursos para a compra de chips, construção de centros de dados e ampliação de sua capacidade de desenvolver sistemas de inteligência artificial.
Para 2026, a empresa planeja investir entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões, valores equivalentes a aproximadamente R$ 570 bilhões e R$ 670 bilhões. A maior parte dos recursos deverá ser aplicada em projetos relacionados à IA.
No fim de fevereiro, a Meta também anunciou um acordo com a fabricante AMD para a aquisição de milhões de processadores. O contrato foi avaliado em pelo menos US$ 60 bilhões.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific)







