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Índice considera os jovens que buscam uma ocupação, mas não conseguem ingressar no mercado de trabalho

Desemprego entre jovens cresce em diversos países e amplia desafios para o mercado de trabalho

A dificuldade de conquistar o primeiro emprego tem se consolidado como um dos principais desafios do mercado de trabalho em diferentes partes do mundo. A criação de vagas não tem acompanhado o ritmo de entrada de novos trabalhadores, enquanto fatores como crescimento econômico mais lento, aumento da concorrência e mudanças nas exigências das empresas tornam a inserção profissional cada vez mais complexa para os jovens.

Esse cenário já provocou manifestações em diversos países. Ao longo do último ano, protestos relacionados à falta de oportunidades para a juventude foram registrados no Quênia, Peru, Nepal, Indonésia e Filipinas. Em 2026, mobilizações semelhantes também ocorreram na África do Sul e no Marrocos.

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Taxa de desemprego entre jovens supera a média geral

O desemprego juvenil considera os jovens que buscam uma ocupação, mas não conseguem ingressar no mercado de trabalho. Tradicionalmente, esse índice é superior ao desemprego geral devido à menor experiência profissional de quem está iniciando a carreira. No entanto, a distância entre esses dois indicadores vem aumentando em vários países.

A China é um dos casos mais representativos desse cenário. O crescimento acelerado do número de estudantes universitários e de profissionais formados ocorreu em velocidade superior à criação de novos empregos, intensificando a competição por vagas.

Em maio, a taxa oficial de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos foi de 15,6%. Embora represente o menor percentual registrado em 11 meses, o índice continua significativamente acima da taxa geral de desemprego do país, que gira em torno de 5%.

Além disso, desde 2023, as estatísticas oficiais chinesas deixaram de contabilizar estudantes universitários nas medições de desemprego juvenil, tornando mais difícil a comparação com os dados divulgados anteriormente.

Brasil também enfrenta dificuldades na inserção profissional

No Brasil, os jovens também encontram obstáculos maiores para conseguir emprego. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram que a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos chega a 13,8%, mais que o dobro da média nacional, de 5,8%.

Entre os brasileiros de 14 a 24 anos, quase um em cada cinco jovens não estuda nem trabalha, indicando dificuldades tanto de acesso ao mercado quanto de permanência em processos de qualificação.

Inteligência artificial ainda não é apontada como principal causa

O avanço da inteligência artificial tem despertado preocupação entre jovens que buscam as primeiras oportunidades profissionais, especialmente em funções administrativas e de entrada. Apesar disso, especialistas afirmam que ainda não há consenso sobre o peso da tecnologia na redução das vagas.

“No Reino Unido, as novas vagas para graduados caíram mais rapidamente do que as destinadas a pessoas sem formação universitária, e muitas dessas funções apresentam alta exposição à IA”, afirma o professor associado de economia aplicada da University College London, Golo Henseke.

Estudos apontam que regiões onde a adoção da inteligência artificial ocorreu mais rapidamente registraram crescimento mais lento do emprego entre trabalhadores de 15 a 24 anos. Entretanto, a avaliação é de que os efeitos da tecnologia ainda são inferiores aos impactos provocados pelo próprio ciclo econômico.

Segundo a especialista em emprego juvenil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Sara Elder, o principal problema continua sendo a baixa capacidade das economias de gerar novas vagas em ritmo suficiente.

“No momento, as economias não estão suficientemente dinâmicas, e a criação de vagas não acompanha o número de jovens que entram no mercado de trabalho”, afirma.

Outro fator apontado é o aumento das exigências feitas pelos empregadores, que frequentemente buscam candidatos já experientes, dificultando a contratação de quem procura o primeiro emprego.

Falta de oportunidades pode comprometer toda a trajetória profissional

A ausência de vagas para iniciantes pode gerar consequências que vão além do desemprego imediato. Sem acesso às primeiras experiências profissionais, muitos jovens deixam de adquirir as competências exigidas para evoluir na carreira.

Esse processo também tende a provocar impactos econômicos e sociais, como redução do consumo, adiamento da compra da casa própria, atraso na formação de famílias e aumento do endividamento e da insatisfação entre a população jovem.

Manufatura, construção e serviços registram maior redução de vagas

Entre 2023 e 2025, a Organização Internacional do Trabalho identificou aumento do desemprego juvenil em oito das onze regiões analisadas, incluindo o Leste Asiático, a América do Norte e o Sudeste Asiático e Pacífico.

Os setores que mais reduziram oportunidades para jovens foram:
• Manufatura;
• Construção civil;
• Serviços.

Por outro lado, áreas que exigem maior qualificação técnica continuaram apresentando expansão na maioria dos países. Profissões ligadas à ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação seguem entre as que oferecem melhores perspectivas de contratação.

Crescimento econômico e políticas públicas aparecem como caminhos

A combinação entre desaceleração econômica, maior concorrência entre profissionais qualificados e mudanças nos processos de recrutamento tornou mais difícil a transição dos jovens da escola para o mercado de trabalho.

Para a especialista em emprego juvenil da OIT, Sara Elder, o enfrentamento desse cenário depende de investimentos públicos e privados capazes de ampliar a oferta de empregos de qualidade, além de políticas que facilitem o ingresso dos jovens na vida profissional.

(Com informações de Deutsche Welle via g1)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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