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A proporção chega a 76% na Geração Z, 73% entre os millennials e 72% na Geração X entre entrevistados

Alto custo de vida nos EUA leva cada vez mais americanos a buscarem segundo emprego

O aumento do custo de vida e a dificuldade de manter as contas em dia têm levado cada vez mais trabalhadores dos Estados Unidos a buscar uma segunda fonte de renda. Freelances, trabalhos temporários e outras atividades complementares, antes associados principalmente à busca por dinheiro extra, passaram a representar uma necessidade financeira para uma parcela significativa dos profissionais.

Uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management, realizada com 5.106 trabalhadores e aposentados norte-americanos, mostra que mais de 60% dos entrevistados já exerceram alguma atividade remunerada paralela. O fenômeno é ainda mais expressivo entre os mais jovens: 80% das pessoas da Geração Z, nascidas entre 1997 e 2012, e 77% dos millennials, nascidos entre 1981 e 1996, afirmaram já ter recorrido a essa alternativa.

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Os dados indicam que a renda obtida fora do emprego principal nem sempre está relacionada ao consumo ou à realização de objetivos pessoais. Para muitos profissionais, trabalhar mais se tornou uma estratégia para cobrir despesas essenciais e enfrentar a perda de poder de compra.

Entre os entrevistados que procuram uma renda complementar por necessidade financeira, a proporção chega a 76% na Geração Z, 73% entre os millennials e 72% na Geração X.

Emprego fixo já não garante segurança financeira

A pesquisa evidencia uma contradição no mercado de trabalho: manter uma ocupação regular não significa, necessariamente, conseguir pagar todas as despesas, formar uma reserva financeira ou construir patrimônio para o futuro.

Embora 65% dos entrevistados considerem o emprego principal um caminho para alcançar estabilidade financeira, 27% afirmam que o salário recebido é suficiente apenas para cobrir os gastos correntes. Outros 8% dizem que nem mesmo a manutenção de um emprego regular lhes proporciona segurança financeira.

Esse cenário amplia a discussão sobre remuneração e condições de trabalho. Além da existência de vagas, é necessário considerar se os rendimentos permitem que os profissionais sustentem suas famílias, tenham acesso a moradia e alimentação e se preparem para a aposentadoria sem depender de jornadas adicionais ou de uma segunda ocupação.

Moradia, dívidas e despesas essenciais pressionam o orçamento

O peso dos gastos básicos aparece como um dos principais obstáculos para a organização financeira dos trabalhadores norte-americanos.

De acordo com o levantamento, 31% dos entrevistados apontam os custos com moradia e as despesas cotidianas como os maiores entraves para economizar e preparar a aposentadoria. O endividamento também compromete o orçamento: 27% citam o pagamento de dívidas como uma dificuldade para poupar.

Os números apresentados pela pesquisa mostram como despesas tradicionalmente associadas à vida adulta passaram a consumir uma parcela maior da renda familiar ao longo das últimas décadas.

A compra da casa própria, por exemplo, representava cerca de 33% da renda familiar em 2000. Em 2026, essa proporção chegou a 54%. No caso do aluguel, o comprometimento da renda aumentou de 21% para 26% no mesmo período.

Os custos com educação e cuidados infantis também cresceram em relação à renda familiar. As despesas com creches passaram de 12% para 19%. Já a proporção destinada às universidades públicas subiu de 25% para 38%, enquanto os gastos com instituições privadas de ensino superior avançaram de 65% para 89%.

Esse aumento reduz a margem disponível para outras necessidades e dificulta a construção de uma reserva financeira. Quando grande parte do salário é consumida por despesas essenciais, poupar para emergências ou para a aposentadoria se torna um desafio ainda maior.

Trabalhar mais pode comprometer a saúde e a qualidade de vida

A busca por uma segunda ocupação pode aliviar as dificuldades financeiras no curto prazo, mas também traz consequências para a rotina dos trabalhadores. O tempo dedicado a atividades complementares pode reduzir as horas disponíveis para descanso, convivência familiar, qualificação profissional e desenvolvimento da carreira.

A pressão financeira também interfere no próprio emprego principal. Segundo a pesquisa, 53% dos entrevistados afirmam que as preocupações com dinheiro prejudicam sua concentração durante o expediente. Além disso, 31% disseram ter faltado ao trabalho no último ano devido a problemas financeiros.

Os dados sugerem que a insegurança econômica não afeta apenas a vida pessoal. Ela também pode prejudicar o desempenho profissional e contribuir para o aumento da rotatividade nas empresas.

A intenção de procurar um novo emprego reforça esse quadro. Cerca de 34% dos entrevistados afirmam que provavelmente mudarão de trabalho para melhorar a situação financeira. O percentual sobe para 48% na Geração Z e 47% entre os millennials.

Quando o emprego atual não oferece remuneração suficiente para atender às necessidades básicas e planejar o futuro, a mudança de ocupação passa a ser considerada uma alternativa para recuperar a estabilidade.

Insegurança financeira também atinge trabalhadores de alta renda

A dificuldade de alcançar tranquilidade financeira não está restrita aos profissionais com rendimentos mais baixos. O estudo identificou uma percepção de segurança em formato de curva em “U”: as preocupações são mais intensas entre quem recebe menos de US$ 100 mil por ano, diminuem nas faixas intermediárias e voltam a crescer entre os trabalhadores com rendimentos superiores a US$ 300 mil anuais.

Nesse último grupo, as preocupações estão relacionadas principalmente à manutenção do padrão de vida, ao crescimento das responsabilidades financeiras e à capacidade de sustentar o nível de consumo durante a aposentadoria.

O resultado indica que a segurança financeira depende não apenas do valor nominal do salário, mas também das despesas, dos compromissos assumidos e da capacidade de reservar parte da renda para necessidades futuras.

Trabalhadores adiam planos e reduzem contribuições para a aposentadoria

A pressão sobre o orçamento também tem levado milhões de profissionais a postergar objetivos financeiros. Aproximadamente 70% dos entrevistados afirmaram ter adiado pelo menos uma meta importante. O índice chega a 83% na Geração Z e a 78% entre os millennials.

As metas mais frequentemente adiadas incluem a formação de uma reserva de emergência, a compra da casa própria, a quitação de dívidas e a preparação para a aposentadoria.

A dificuldade de poupar aparece também na redução das contribuições previdenciárias. Segundo o levantamento, a proporção de trabalhadores que aumentaram os valores destinados à aposentadoria caiu de 55% em 2025 para 39% em 2026.

A percepção de que estão no caminho certo para alcançar seus objetivos financeiros também diminuiu em diferentes gerações. Na Geração Z, o percentual recuou de 75% para 66%. Entre os millennials, passou de 74% para 61%. Na Geração X, a queda foi de 58% para 49%.

(Com informações de g1)

(Foto: Reprodução)

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