Dirigente da CSB, vereador propõe tarifa zero no transporte público de Feira de Santana (BA)

O vereador Silvio Dias (PT) propôs que Feira de Santana (BA) passe a estudar a implantação da política de Tarifa Zero no transporte público coletivo. Presidente do Sinprf-BA (Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais da Bahia) e vice-presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), o parlamentar apresentou a proposta durante discurso na Câmara Municipal, em meio a críticas ao recente aumento da tarifa de ônibus na cidade.

A fala foi feita nesta quata-feira (4), durante a primeira sessão ordinária do Legislativo em 2026, quando Silvio questionou o reajuste de 4,85% no transporte público, em vigor desde 17 de janeiro. Com a mudança, a passagem passou de R$ 5,15 para R$ 5,40 no Cartão Social ou Via Feira, de R$ 5,50 para R$ 5,90 em dinheiro, e chegou a R$ 6,60 nos distritos de Bonfim de Feira, Tiquaruçu e Jaguara.

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Para o vereador, o aumento da tarifa gera impactos que vão além dos usuários do sistema, atingindo diretamente o orçamento dos trabalhadores e provocando reflexos negativos na economia local. Segundo ele, o reajuste estimula a busca por alternativas de deslocamento e eleva os custos das empresas com o pagamento do vale-transporte. “É um impacto no bolso e na mobilidade, porque, quanto mais aumenta, mais pessoas procuram alternativas”, argumentou.

Ele ressaltou ainda que a Tarifa Zero pode beneficiar tanto os trabalhadores quanto os empregadores, ao reduzir despesas relacionadas ao vale-transporte e minimizar impactos econômicos provocados pelos sucessivos reajustes tarifários.

“O vale-transporte, que é indenizatório, ele tem a característica de indenizar o trabalhador que gasta por isso. Se você fala, então, que ele não vai precisar ser indenizado, a gente pode criar uma contribuição para ser paga pelo empregador para bancar o que falta. E, olha, vai ser menor do que o custo que hoje tem o empregador com o vale transporte”, apontou.

Dias defendeu a Tarifa Zero como alternativa viável para garantir o direito de ir e vir, citando experiências já existentes em outros municípios brasileiros. Ele destacou que mais de 170 cidades adotam algum modelo da política e que pelo menos 50 já operam com tarifa zero de forma universal, todos os dias da semana. Alagoinhas, a cerca de 80 quilômetros de Feira de Santana, foi citada como exemplo regional. “Precisamos discutir urgentemente a tarifa zero, que é algo viável e possível”.

O vereador também detalhou os custos atuais do sistema de transporte de Feira de Santana e avaliou que o financiamento integral pelo poder público é possível, considerando a arrecadação municipal e o apoio de outras esferas de governo.

“O transporte público de Feira de Santana hoje custa em torno de 8 milhões. 4,4 milhões por mês a prefeitura já banca. Nós estamos falando aí de uma diferença em torno de 3,6 milhões. É algo possível, uma cidade que arrecada mais de 50 milhões somente com o IPVA, que vem do governo do estado aqui, metade do IPVA vem para Feira de Santana, dos carros são emplacados aqui. Nós temos de onde tirar outras receitas. E o governo federal também pode ajudar, como vem ajudando alguns outros municípios”, afirmou.

Com informações de Acorda Cidade e Câmara de Feira de Santana
Foto: reprodução/Câmara de Feira de Santana

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