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Trabalho no campo ainda enfrenta precarização laboral

Apesar de avanços tecnológicos e da mecanização em diversas culturas agrícolas, o trabalho no campo brasileiro ainda enfrenta desafios significativos relacionados à precarização e à desigualdade. A avaliação é da auditora-fiscal do Trabalho Alessandra Bambirra, que destaca uma distância expressiva entre as condições enfrentadas por trabalhadores rurais e urbanos.

Segundo ela, a fiscalização revela um cenário de maior vulnerabilidade no meio rural, marcado por limitações no acesso à educação, informação, internet e meios de comunicação. Essa realidade contribui para a desvantagem dos trabalhadores do campo, que frequentemente têm menos instrumentos para reivindicar direitos ou reconhecer situações de irregularidade.

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O contraste dentro do próprio setor também chama atenção. Enquanto há propriedades altamente produtivas e profissionais qualificados, persistem casos de trabalhadores submetidos a condições degradantes, sem garantias mínimas de dignidade. Essa desigualdade evidencia um campo heterogêneo, onde desenvolvimento e precariedade coexistem.

O trabalho análogo à escravidão ainda é uma preocupação relevante. No meio rural, ele se manifesta principalmente por jornadas exaustivas, moradias precárias e práticas como a servidão por dívida, em que o trabalhador se vê preso a obrigações financeiras impostas pelo empregador. Embora esse tipo de exploração também exista em áreas urbanas, no campo tende a apresentar quadros mais críticos.

A auditora ressalta que o combate a essas práticas exige mais estrutura e pessoal para a fiscalização, além de políticas públicas mais eficazes. Outro caminho apontado é a responsabilização das cadeias produtivas, incentivando empresas a garantir que toda a produção esteja livre de irregularidades, desde a origem até o produto final.

Iniciativas nesse sentido já começam a surgir, com empresas buscando associar suas marcas a práticas éticas, livres de trabalho infantil, exploração e condições degradantes. A certificação, nesse contexto, deve ir além da qualidade do produto e abranger todo o processo produtivo.

A informalidade permanece como uma das principais características do trabalho rural, contribuindo para a exclusão previdenciária e a invisibilidade institucional desses trabalhadores. Muitos dos resgatados em situações irregulares são oriundos de regiões mais vulneráveis e acabam sendo aliciados por intermediários.

O enfrentamento desse cenário, segundo especialistas, depende de ações integradas entre poder público e setor privado. Medidas estruturais como acesso à saúde, educação, informação e infraestrutura são consideradas fundamentais para reduzir as desigualdades.

Embora o Brasil possua políticas reconhecidas internacionalmente, como a previdência rural, os dados recentes de fiscalização mostram que ainda há um longo caminho a percorrer. Operações em Minas Gerais, por exemplo, identificaram milhares de irregularidades e resgataram trabalhadores em condições degradantes, evidenciando a persistência do problema.

Para a auditora, o trabalhador rural segue como o elo mais frágil de uma cadeia produtiva essencial, reforçando a necessidade de ampliar a proteção e garantir direitos em um setor estratégico para o país.

(Com informações de Agência Brasil)

(Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

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