Central dos Sindicatos Brasileiros

Representando o movimento sindical, Antonio Neto é ovacionado no lançamento do movimento “Direitos Já! Fórum pela democracia”

Representando o movimento sindical, Antonio Neto é ovacionado no lançamento do movimento “Direitos Já! Fórum pela democracia”

Evento realizado na PUC-SP, na noite da última segunda-feira (02), contou com a participação de líderes religiosos, presidentes das Centrais Sindicais, nomes da sociedade civil e lideranças políticas na construção de uma frente ampla em defesa da constituição e da democracia

O Presidente da CSB, Antonio Neto participou na noite desta segunda-feira no TUCA – Teatro da PUC-SP do lançamento do Direitos Já! Fórum pela democracia representando a Central dos Sindicatos Brasileiros.

Em sua fala representando o movimento sindical, o Presidente Antonio Neto destacou as vitórias conquistas pela sua geração, que derrotou a ditadura militar, conquistou a Lei da Anistia e da Constituição de 1988, venceu a inflação e elegeu o primeiro operário presidente do Brasil. Neto ainda exaltou a importância do evento para a construção de uma frente ampla em defesa da democracia e na defesa das conquistas da classe trabalhadora. A CTB, a Força Sindical e a UGT também estavam presente com seus respectivos presidentes.

Também estiveram presentes representantes da sociedade civil, do movimento estudantil, da academia e lideranças políticas como o ex-ministro Ciro Gomes; o ex-governador de São Paulo, Marcio França e o governador do Maranhão, Flávio Dino. O ato contou ainda com a participação, por vídeo, de lideranças como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-ministro Aldo Rebelo.

Ciro Gomes destacou a apatia política que se abateu no Brasil nos últimos anos, além de pontuar que projetos como a PEC do Teto dos Gastos Públicos estão na raiz da gestação do atual governo. O ex-ministro lembrou que a construção do Presidente Bolsonaro se deu pelo medo e a desesperança da sociedade. Ciro lembrou, ainda, do desmonte na educação pública e da visível perda de liberdades individuais impostas pelo atual governo. “A onde foi que nós erramos? ”, foi com esse questionamento que Ciro Gomes encerrou sua fala.

O movimento é uma iniciativa da sociedade civil que reúne centrais sindicais, partidos políticos, movimentos sociais e entidades representativas. Em sua explanação inicial o sociólogo Fernando Guimarães, coordenador do fórum, ressaltou que o Direitos Já, não é uma “frente com projeto político” e nem um “movimento contra ninguém”. É um chamado da democracia brasileira, uma iniciativa que surgiu da forma mais informal possível, no dia seguinte à eleição do ano passado, quando percebemos o momento de aflição com a agenda anticivilizatória do presidente eleito, que era afirmada e reafirmada. É um espaço de diálogo, de convergência em torno da defesa da democracia, dos direitos humanos e da liberdade.

O evento contou, ainda, com a participação de importantes lideranças religiosas como Dom Cláudio Hummes, o arcebispo emérito de São Paulo, assim como lideranças de outras crenças.

Já no fim do ato, o linguista Noam Chomsky, considerado por muitos o maior intelectual vivo, marcou presença no ato falando dos riscos que as mais consolidadas democracias ao redor do mundo vêm sofrendo com medidas arbitrárias de seus governantes.

Manifesto do Direitos Já! Fórum pela Democracia

O Brasil vem enfrentando nos últimos anos uma explosiva combinação de crises econômicas, fiscais, éticas e de representatividade. O resultado é um sentimento de desesperança e descrédito nas instituições e valores democráticos. A classe política é vista como parte do problema, e não da solução.

Na ânsia de virar a página da recessão, desemprego, violência e escândalos bilionários de corrupção, a sociedade brasileira foi manipulada por notícias falsas, demonização de pautas identitárias e movimentos sociais, e pela promessa de soluções fáceis, rápidas e definitivas. 

As eleições de 2018 foram marcadas pela ascensão política de um discurso ultranacionalista, religiosamente fundamentalista, de ataque a instituições e segmentos sociais. Ao atacar a complexidade dos processos político e social do país, e rotulá-las como origem dos problemas do Brasil, as forças vencedoras do pleito, paradoxalmente, atacam a própria democracia e a legitimidade dos anseios de parcelas da população.

Em 1988, com os horrores do Estado de Exceção da Ditadura Militar frescos na memória, o povo brasileiro escolheu o caminho de uma Constituição Cidadã, que preconiza a justiça social, o acesso universal aos direitos fundamentais e à proteção contra as diversas formas de opressão. Hoje, aqueles que estão no poder tentam reescrever a nossa História. Tanto negando os malefícios dos Anos de Chumbo, quanto relativizando ou mesmo atacando garantias e direitos constitucionais conquistados pelo povo brasileiro.

Em nome de valores morais submissores e de um desenvolvimento econômico excludente, estão sob ataque os direitos humanos e trabalhistas, a pluralidade de pensamentos, liberdade de imprensa, de cátedra e de crença, o conhecimento científico, o meio ambiente e até mesmo a tradição diplomática brasileira. Os impactos serão diretamente sentidos pelos segmentos mais vulneráveis e, em alguns casos, com efeitos nocivos que durarão gerações.

O momento exige união e vigilância constante. É preciso que as forças democráticas do país superem suas diferenças programáticas e estejam conectadas e engajadas em torno de uma pauta comum: a defesa irrevogável dos direitos conquistados pela população brasileira.

Com este objetivo nasce o Direitos Já – Fórum pela Democracia, uma iniciativa suprapartidária, plural e aberta a todas e todos, pessoas e instituições, que desejam se engajar na vigilância e defesa da nossa democracia. 

 

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