As centrais sindicais decidiram intensificar a mobilização para pressionar o Senado a votar, ainda antes do primeiro turno das eleições de 2026, a PEC 221/2019, que propõe o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais. A estratégia foi definida nesta sexta-feira (4), durante reunião do Fórum das Centrais Sindicais, após o anúncio de que a análise da proposta no plenário ficará para depois das eleições.
A Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) participou das discussões e criticou o adiamento da votação. Para a entidade, havia expectativa de que a proposta pudesse avançar no Senado nesta semana, especialmente depois da aprovação do relatório na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
LEIA: CSB mantém pressão no Senado pelo fim da escala 6×1 após aprovação na CCJ
O secretário de Organização e Mobilização da CSB, Paulo de Oliveira, classificou o adiamento como uma decisão que prejudica os trabalhadores que irão às urnas. Segundo ele, a mudança no calendário pode abrir espaço para que interesses diferentes daqueles defendidos pela maioria da população ganhem força no processo legislativo.
“Nos parece desleal com os trabalhadores que vão votar na eleição. Como passou o primeiro turno, não há mais preocupação com os votos e aí eles podem atender outros interesses que não os da grande massa da população”, afirmou.

CSB e centrais querem votação antes das eleições
A decisão das centrais é aumentar a pressão sobre os senadores em seus respectivos estados para tentar antecipar a apreciação da PEC do fim da escala 6×1. A mobilização começa neste fim de semana e deverá envolver ações presenciais e digitais.
As entidades pretendem ampliar a distribuição de materiais informativos em centros comerciais, regiões onde a jornada 6×1 possui forte presença, além de reforçar a divulgação da pauta nas redes sociais e organizar novos atos de rua.
A estratégia também prevê uma solicitação de audiência com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para apresentar a defesa das centrais pela votação antes do primeiro turno das eleições.
A mobilização busca colocar a redução da jornada de trabalho no centro do debate eleitoral e cobrar dos parlamentares uma posição clara sobre a proposta.
PEC 221/2019 prevê jornada de 40 horas
A PEC 221/2019 prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além de estabelecer mudanças relacionadas à escala 6×1.
Para as centrais sindicais, a medida representa uma oportunidade de ampliar o tempo disponível para descanso, convivência familiar e outras atividades, com possíveis reflexos na qualidade de vida dos trabalhadores.
A defesa da proposta também está relacionada à avaliação das entidades de que a redução da jornada pode ser incorporada pelas empresas sem provocar os impactos apontados pelo setor patronal.
Aprovação na CCJ aumentou expectativa dos sindicatos
A expectativa das entidades sindicais pela votação no plenário aumentou após a aprovação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta quarta-feira (2).
Apenas quatro senadores votaram contra a proposta na comissão. O resultado foi considerado uma vitória importante para o movimento sindical e reforçou a expectativa de avanço da PEC.
Com a decisão de deixar a votação para depois das eleições, porém, os sindicatos passaram a defender uma mobilização mais intensa para tentar modificar o calendário.
Para as entidades, a votação antes do primeiro turno permitiria que os trabalhadores conhecessem a posição dos candidatos ao Senado e dos parlamentares diante de uma pauta diretamente relacionada às condições de trabalho.
(Com informações de Agência Brasil)







