O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, participou de entrevista ao programa TVT News, da Rede TVT, nesta quarta-feira (04), para discutir a política de ajuste fiscal e os impactos das regras orçamentárias sobre os investimentos públicos e os direitos sociais.
Durante a conversa, o dirigente anunciou que as centrais sindicais prepararam uma carta direcionada à população brasileira e ao governo, para defender mudanças no arcabouço fiscal e ampliar os recursos destinados às políticas públicas.
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O documento, intitulado “Carta aberta à sociedade brasileira: por uma política fiscal que garanta direitos” reivindica uma política econômica comprometida com as demandas apresentadas pela população nas urnas, em vez de priorizar os interesses de agentes do mercado financeiro.
Na avaliação de Neto, há uma tentativa de pressionar o governo federal a adotar medidas alinhadas ao programa de governo derrotado nas eleições. O dirigente classificou esse movimento como uma espécie de “terceiro turno” e afirmou que as organizações sindicais não aceitarão que propostas rejeitadas pela população determinem os rumos do país.
“Nós fomos as ruas, mobilizamos trabalhadores, aposentados, pensionistas e a juventude. Tudo foi organizado para garantir que tenhamos soberania. A pressa é deles, não é nossa, e é isso que espelha a nossa carta. Não vamos permitir que perdedores pautem o que vamos fazer”, declarou.
Centrais defendem mais recursos para saúde, educação e valorização salarial
A carta aberta propõe a abertura de espaço fiscal para viabilizar um novo ciclo de desenvolvimento econômico, social e sustentável. A iniciativa busca garantir condições para ampliar os investimentos públicos e fortalecer a capacidade do Estado de implementar políticas que promovam o crescimento e a redução das desigualdades.
Nela, as centrais sindicais defendem a continuidade da política de valorização do salário mínimo, com a preservação do compromisso de reajuste acima da inflação, além da valorização dos servidores públicos. Também reivindicam a manutenção dos pisos constitucionais de financiamento da saúde e da educação e da vinculação das aposentadorias e dos benefícios sociais ao salário mínimo.
Durante a entrevista, Antonio Neto reforçou que o orçamento público precisa assegurar recursos suficientes para atender às necessidades da população e manifestou críticas ao modelo atual do arcabouço fiscal.
Para o dirigente, a política fiscal deve estar a serviço do desenvolvimento nacional, garantindo recursos para áreas essenciais, como segurança pública, saúde e educação, sem comprometer os mecanismos de proteção social.
“É preciso manter o reajuste do salário-mínimo e direcionar mais dinheiro para a segurança, saúde, educação. Tem que acabar com essa história de arcabouço fiscal, isso só fez engessar nosso orçamento. Precisamos devolver ao Estado a capacidade de investimento”, completou o presidente da CSB.
Mobilização sindical em defesa da soberania nacional
Antonio Neto também destacou o papel da mobilização das centrais sindicais na defesa de um projeto de país comprometido com a soberania nacional e a valorização do trabalho.
Segundo ele, as organizações sindicais pretendem ampliar sua capacidade de mobilização nas ruas e nas redes sociais, além de atuar para evitar que os trabalhadores sejam influenciados por campanhas de desinformação e discursos contrários aos seus direitos.
Ao comentar o cenário político e econômico, o dirigente ressaltou que a energia construída durante o processo eleitoral precisa continuar mobilizada para defender as conquistas sociais e impedir retrocessos.
“Estamos criando exércitos de todos os lados para que os trabalhadores não sejam manipulados por essa mídia entreguista. É bom ter claro que essa energia que geramos no Brasil para derrotar os fascistas agora está servindo de exemplo para todo o mundo”, concluiu Antonio Neto.
A carta das centrais conta com o reconhecimento de mais de 500 entidades, lideranças, servidores públicos e apoiadores. O documento segue aberto para mais assinaturas através do formulário.
Leia a carta na íntegra a seguir:







