Central dos Sindicatos Brasileiros

Presidente da CSB SP garante que geração de empregos e lutas dos municípios do interior e litoral serão prioridades da diretoria

Presidente da CSB SP garante que geração de empregos e lutas dos municípios do interior e litoral serão prioridades da diretoria

Tiago Pereira também é vice-presidente da CSB Nacional; dirigente falou sobre os desafios do movimento sindical e assegura resistência paulista contra as reformas do governo

Fortalecer a união dos trabalhadores paulistas, lutar por uma maior representatividade dos interesses da classe trabalhadora, impedir a aprovação da reforma previdenciária e combater os efeitos da reforma trabalhista são algumas das prioridades da seccional da CSB em São Paulo. Responsável pela organização e mobilização dos profissionais do estado com maior PIB do País (R$ 506,6 bilhões segundo últimos dados do Seade), a regional é presidida por Tiago Pereira – que garante intensificar os esforços do movimento sindical no estado.

Em entrevista, o dirigente afirma estar em busca, junto à diretoria, de soluções para aumentar a geração de empregos e melhorar a qualidade de vida nos municípios urbanos, do campo e do litoral paulista. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o estado já somou 3,1 milhões de desempregados no 4º trimestre de 2017.

Para saber como a seccional da CSB em São Paulo planeja enfrentar tais desafios e conhecer os seus compromissos, acompanhe a seguir a entrevista com o presidente Tiago Pereira:

  1. Quais são os principais desafios do movimento sindical no estado de São Paulo?

Tiago Pereira:  Os maiores desafios que nós temos é crescer aqui no estado de São Paulo, viabilizar os nossos projetos para favorecer o trabalhador e não deixar acontecer como aconteceu com a reforma trabalhista, que prejudicou muitos profissionais.

Então, o papel fundamental da CSB também é orientar seus filiados, seus companheiros de São Paulo, a pensar muito nessa eleição que vem vindo aí em outubro. Nós precisamos ter alguns companheiros que pensem no trabalhador, que elejam deputados estaduais, federais, senadores, governador e até presidente da República que tenham compromisso com os trabalhadores. Acho que isso é de fundamental importância.

E são nos momentos difíceis que nós temos que crescer. A CSB sempre foi assim, cresceu nos momentos difíceis nacionalmente, e eu acredito que São Paulo também vai passar por esse desafio de crescer na dificuldade com todo esse rebuliço da reforma trabalhista. 

  1. E o que a CSB planeja fazer para enfrentá-los?

T.P.: O que nós queremos fazer são encontros regionais para discutir cada um desses pontos, além de conscientizar nossos filiados para as eleições deste ano. Em fevereiro, nós fizemos uma reunião da operativa e já estamos fazendo um levantamento estratégico para pegarmos as regionais, como Prudente, Araçatuba, Rio Preto, Vale do Paraíba e Grande São Paulo, e fazermos tanto essa parte de conscientização política, quanto debater uma estratégia de crescimento, de como a gente pode atuar nos sindicatos que não são filiados a nenhuma central, falar sobre a importância de ter o respaldo de uma central como a CSB para que eles possam aderir a esse projeto e fazer parte do crescimento da CSB em São Paulo. Nós vamos desenvolver um projeto por região.

Considero isso o mais importante, além de várias outras coisas que estaremos elaborando. Mas é importante ressaltar que não estamos aqui para guerrear.

Clique aqui para saber como foi a 1ª reunião do ano da seccional da CSB em SP

  1. Já existe uma agenda para os encontros regionais?

T.P.: Semana que vem já teremos o calendário de reuniões. O projeto ainda está em fase de apreciação. Então, primeiro faremos isso para depois irmos aos municípios.

  1. Depois que o projeto estiver estabelecido, como funcionará as reuniões?

T.P.: A ideia é chamar todos os sindicatos que pertencem à jurisdição de cada regional, chamar o coordenador da CSB da região para convocar esses sindicatos a uma conversa e também chamar os sindicatos que não estão filiados para discutirmos um projeto em união para o estado de São Paulo. O objetivo dos encontros é para todos terem a oportunidade de opinar sobre o que é legal fazermos no município deles; para combatermos o que os sindicatos patronais, as empresas e o poder público estiverem fazendo de errado.

  1. A diretoria da CSB em São Paulo possui outros compromissos com as mobilizações do interior, do litoral paulista e demais municípios fora a capital? Em fevereiro, por exemplo, nós tivemos a manifestação dos servidores de Cotia, que perderam benefícios com a aprovação de uma Proposta de Emenda à Lei Orgânica.

T.P.: A nossa orientação é que onde tenha movimentos, onde reúna vários sindicatos, de todo tipo de categoria, é que nós participemos; que nós estejamos preparados para mobilizarmos e apoiarmos os companheiros.

[Além disso], pedimos para que todos estejam atentos a toda orientação que a CSB do estado vem passando para que a gente possa fazer uma greve geral, uma paralisação, um protesto se necessário. Precisamos vestir a camisa da CSB e lutar para que não passem mais retrocessos, como as reformas trabalhista a previdenciária. Essa é a orientação para o dirigente do interior, do litoral, da Grande São Paulo e da capital. 

  1. E dentre este conjunto de ações, o que será prioridade em 2018?

T.P.: Todas as ações são prioridades em 2018. Porém, o principal é conscientizar nossos trabalhadores e sindicatos de que nós temos um ano difícil por conta da reforma trabalhista.

Já há alguns sindicatos meio perdidos ainda [com a mudança na lei] – e a CSB Nacional já faz o trabalho fundamental de assistência jurídica e orientação –, mas esse também é um papel da seccional de São Paulo.

Então, nós vamos priorizar as orientações para diminuir os efeitos da reforma porque já vimos alguns sindicatos que deram aquela balançada. [Portanto], nós estamos motivando eles para ir ‘pra’ cima e mostrar porque o sindicato é necessário. Hoje, a mídia fala que acabou o sindicato, que não precisa mais de sindicato, que a empresa agora pode chamar o trabalhador individualmente e fazer acordo de banco de horas, de redução de jornada… Não! O Sindicato não acabou e jamais acabará!

Sem o sindicato, o trabalhador vai voltar à escravidão e vai sofrer na mão do patronato, porque o empresário quer produção. Se você tiver uma dor de barriga, você não serve mais, é trocado. Por isso, nós estamos brigando e vamos continuar brigando para que o empregado seja homologado no sindicato. Hoje, amanhã e sempre quem será o representante dos trabalhadores perante as empresas e o poder público são os sindicatos. É o sindicato que vai brigar, que defende os direitos dos trabalhadores. E é isso que vamos ressaltar para todos os dirigentes ao longo de 2018.

  1. Aproveitando o assunto reforma trabalhista, como as mudanças na CLT têm afetado a realidade dos trabalhadores paulistas? E o que a CSB pretende colocar em prática pela diminuição dos retrocessos?

T.P.: Há muitas empresas que não querem mais homologar seus trabalhadores nos sindicatos. Nós já temos denúncias disso de alguns setores, feitas por várias entidades. Outros patrões também estão reduzindo a jornada de trabalho e o salário dos funcionários sem falar com os sindicatos, e ainda estão fazendo acordos individuais com os trabalhadores.

Essas são só algumas denúncias que estamos nos preparando para combatê-las tanto juridicamente, como indo até a empresa caso o sindicato não tenha condições de combater sozinho. O compromisso da CSB é o de auxiliar os filiados e, se possível, deslocar alguns dirigentes da nossa diretoria para ajudar esses sindicatos a combater a fraude que as empresas querem fazer contra os trabalhadores.

  1. Já a respeito da reforma da Previdência, mesmo com a tramitação suspensa na Câmara dos Deputados, como a seccional se prepara para a mobilização contra os ataques à aposentadoria brasileira?

T.P.: Nós estamos preparados. Nós já participamos de algumas reuniões com as demais representações das centrais sindicais no estado, e estamos preparados para nos mobilizarmos e fazer com que o Congresso entenda como isso vai afetar os trabalhadores.

Então, temos conscientizado todos os nossos sindicatos para se mobilizarem nas suas cidades, nas suas regiões; que façam algum ato. E se colocarem [a Proposta de Emenda à Constituição 287] em votação, vamos fazer protesto, vamos parar, vamos fazer tudo para que não passe essa reforma. [Por isso], estamos pedindo aos dirigentes ficarem em alerta, porque se colocarem em votação, vamos parar o estado de São Paulo.

  1. Além das reformas do governo Temer, na sua análise, quais são as principais demandas e os problemas das categorias profissionais em São Paulo?

T.P.: No geral, eu acho que o maior esforço que precisaremos fazer é com relação à diminuição do número de desempregados. No Brasil, já são 13 milhões de trabalhadores sem emprego [em São Paulo, 3,1 milhões], e combater isso é um dos projetos que precisamos desenvolver.

  1. E como a CSB pode ajudar o estado no estímulo à criação de políticas públicas que gerem emprego e desenvolvam a região?

T.P.: A gente vai discutir com alguns deputados e com o governo de São Paulo para descobrirmos como podermos ajudar na geração de novos empregos no estado. Até porque esse desemprego também inibe a mobilização dos trabalhadores, pois eles têm medo de perderem seus postos. Então, vamos articular para gerar empregos, fortalecer o movimento sindical e a defesa dos nossos direitos.

  1. Quais são as orientações da seccional da CSB em São Paulo para fortalecer as mobilizações?

T.P.: Nosso incentivo consiste em que nós, dirigentes sindicais, vamos para as empresas, os comércios, as associações de moradores de bairros, e expliquemos por que é importante não votar a reforma da Previdência; por que é importante gerar novos empregos.

Os sindicatos precisam estar em contato com o trabalhador no dia a dia. Acho que a melhor arma das entidades sindicais é estar na porta da empresa, fábrica, do comércio ou estar no campo junto ao trabalhador, debatendo com ele por que a reforma trabalhista é ruim; por que a reforma da Previdência vai ser prejudicial aos trabalhadores. É isso que orientamos: que os dirigentes saiam dos sindicatos e vão para a porta das empresas e expliquem nossas lutas.

  1. Para finalizar, que mensagem você deixa para os trabalhadores e o que eles podem esperar da CSB sobre a representatividade da Central no estado?

T.P.: A nossa mensagem é que vamos estar juntos com eles em qualquer desafio que tiver. A CSB vai estar com todos os trabalhadores, todos os seus dirigentes, todos os seus sindicatos filiados.

Vamos resistir a qualquer um que queira tirar o direito dos trabalhadores. Vamos resistir e vamos estar juntos para dar todo o apoio, toda a atenção que eles precisarem e for necessária. E também quero dizer a trabalhadores e sindicalistas que não desanimem e que fiquem firme na defesa dos direitos do povo paulista e brasileiro.

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