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Pesquisa global mostra impacto de jornadas extensas, falta de reconhecimento e excesso de ferramentas digitais

Quase metade da geração Z e dos millennials relata burnout no trabalho

Quase metade dos profissionais da geração Z e dos millennials relata enfrentar níveis elevados de burnout no ambiente de trabalho, mesmo com o aumento das iniciativas empresariais voltadas à saúde mental. O cenário é apontado pelo Deloitte Global 2026 Gen Z and Millennial Survey, que ouviu 22.595 pessoas em 44 países.

A pesquisa mostra que saúde mental, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e estabilidade passaram a ter maior peso nas decisões relacionadas à carreira. Para os trabalhadores mais jovens, as condições oferecidas pelas empresas também influenciam a disposição para permanecer no emprego e assumir novas responsabilidades.

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Jornadas longas estão entre as fontes de estresse

O levantamento relaciona o esgotamento profissional a diferentes aspectos da organização do trabalho. Jornadas prolongadas, falta de reconhecimento, pouco tempo para executar as tarefas e percepção de falta de justiça nas decisões empresariais aparecem como fatores que aumentam o estresse.

Assim, o problema não está necessariamente ligado apenas ao volume de atividades. A maneira como o trabalho é distribuído, o grau de autonomia do profissional e o reconhecimento pelo esforço realizado também interferem na experiência dos trabalhadores.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) caracteriza o burnout como um fenômeno ocupacional decorrente do estresse crônico no trabalho que não foi administrado adequadamente. O quadro pode envolver exaustão, distanciamento mental em relação ao emprego e redução da eficácia profissional.

Excesso de tecnologia também provoca fadiga

A digitalização das atividades profissionais criou novas possibilidades de organização do trabalho, mas também trouxe fontes adicionais de desgaste. De acordo com a pesquisa da Deloitte, 58% da geração Z e 54% dos millennials afirmam experimentar fadiga digital.

Notificações frequentes, alternância entre plataformas e necessidade de acompanhar simultaneamente diferentes sistemas podem fragmentar a atenção dos trabalhadores. E-mails, aplicativos de mensagens, videoconferências e ferramentas de gerenciamento, quando utilizados de forma excessiva ou pouco integrada, podem aumentar a sensação de sobrecarga.

A inteligência artificial também já faz parte dessa realidade. Cerca de 74% dos entrevistados das duas gerações afirmam utilizar IA diariamente no trabalho. Ao mesmo tempo, aproximadamente um terço considera que a própria organização ainda não está preparada para lidar com as transformações provocadas pela tecnologia.

Burnout também interfere na busca por cargos de liderança

O impacto do estresse aparece ainda nas expectativas de crescimento profissional. Entre os integrantes da geração Z que identificam obstáculos para chegar a posições de liderança, 50% apontam estresse e burnout como uma preocupação. No caso dos millennials, o percentual é de 49%.

O excesso de responsabilidades também está entre os fatores considerados por quem avalia assumir funções de maior hierarquia.

Apesar dessas preocupações, os trabalhadores dessas gerações continuam demonstrando interesse em avançar profissionalmente. O levantamento indica que 76% da geração Z e 67% dos millennials desejam ocupar cargos de liderança sênior em algum momento da carreira.

A preferência, porém, não está necessariamente relacionada a uma ascensão rápida. Apenas 25% da geração Z e 21% dos millennials dizem preferir uma trajetória profissional baseada em promoções aceleradas. Uma parcela maior demonstra preferência por uma evolução gradual, com construção de experiência antes da chegada a funções de maior responsabilidade.

Saúde mental exige mudanças na organização do trabalho

Os dados indicam que iniciativas voltadas ao bem-estar podem não ser suficientes quando as causas do estresse permanecem presentes na rotina profissional.

Pressão por prazos, jornadas extensas, baixa autonomia, falta de apoio e excesso de demandas são aspectos da organização do trabalho que podem contribuir para o estresse ocupacional. Por isso, discutir saúde mental também envolve avaliar como as atividades são distribuídas, quais são as condições oferecidas aos trabalhadores e quanto controle eles possuem sobre suas responsabilidades.

(Com informações de Gizmodo)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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