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Lula assina projeto sobre negociação coletiva para trabalhadores do serviço público

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na quarta-feira (15), um Projeto de Lei que regulamenta a Convenção nº 151 da Organização Internacional do Trabalho, voltada à negociação coletiva no setor público. A proposta será encaminhada ao Congresso Nacional para ser analisada e votada.

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A regulamentação trata de uma demanda antiga de entidades representativas dos servidores, que há anos defendem a criação de uma legislação específica para garantir mecanismos formais de negociação entre trabalhadores do serviço público. Embora o Brasil tenha ratificado a convenção em 2010, sua aplicação ainda não havia sido plenamente incorporada à legislação nacional.

“Fomos surpreendidos positivamente, porque hoje o presidente assinou um projeto de regulamentar a negociação coletiva entre os entes federativos do funcionalismo público. Parabéns, classe trabalhadora brasileira que deu hoje um exemplo maravilhoso”, celebrou Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB).

Antonio Neto, presidente da CSB, e Geraldo Alckmin, vice-presidente da República

A assinatura ocorreu durante reunião com centrais sindicais em Brasília, após a Marcha da Classe Trabalhadora. O projeto também está alinhado a compromissos assumidos pelo governo com essas entidades, incluindo a retomada das mesas de negociação e outras medidas voltadas à valorização do serviço público.

A proposta prevê a criação de instrumentos permanentes de diálogo, como negociações periódicas, aproximando o modelo do que já existe na iniciativa privada. Atualmente, as conversas entre o governo federal e representantes do serviço público acontecem de forma não institucionalizada, o que gera incertezas tanto para os trabalhadores quanto para a administração pública.

Segundo Sergio Arnoud, presidente regional da CSB-RS e da Federação Sindical dos Servidores Públicos no Estado do Rio Grande do Sul (Fessergs), hoje os servidores públicos fazem greve para poder se sentar à mesa e negociar.

“A indicação de Lula ao Congresso permite que servidores públicos tenham as mesmas condições de servidores da iniciativa privada, ou seja, a possibilidade de debater as condições de trabalho, o direito à negociação coletiva”, completou.

Na avaliação de entidades sindicais, a medida representa um avanço ao trazer mais previsibilidade, transparência e segurança às relações de trabalho no setor público. Assim, o projeto também é visto como uma forma de reduzir a necessidade de paralisações, ao permitir que as negociações ocorram de maneira estruturada e contínua.

Aires Ribeiro, vice-presidente da CSB e presidente da Confederação dos Servidores Públicos Municipais (CSPM), diz que agora a luta será pela aprovação do projeto.

“É um projeto que nasce das mãos de muitos representantes. Trabalharemos fortemente para que o Congresso Nacional aprove o mais rápido possível, para editar essa lei e atender a demanda de muitos servidores públicos que têm dificuldade de estabelecer negociação justa.”

Em tom de valorização da medida, o diretor da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Flávio Werneck, afirma que a iniciativa representa uma grande vitória para o serviço público brasileiro, consolidando o resultado de articulação de diversas entidades ao longo de décadas.

“Era uma demanda que estava parada há mais de 40 anos. O governo do presidente Lula abraçou a ideia e fez um acordo com todas as centrais sindicais. Nossa luta agora é no Congresso para aprovar [a proposta].”

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