A Kimberly-Clark Brasil foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 15 mil por danos morais a um técnico terceirizado que recebeu um certificado com o título de “1° Escravo CLT” durante uma confraternização realizada na fábrica da empresa em Suzano, na região metropolitana de São Paulo.
A decisão foi proferida pela 1ª Vara do Trabalho de Suzano. A sentença também estabeleceu o pagamento de honorários advocatícios de 10%. A empresa ainda pode recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2).
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Certificado foi entregue durante confraternização
O episódio ocorreu em 6 de dezembro de 2024, durante a dinâmica “Melhores do Ano 2024”, realizada no grêmio esportivo da fábrica de Suzano. O evento foi promovido pelo setor de Meio Ambiente, Saúde e Segurança.
O trabalhador recebeu um certificado com a inscrição “1° Escravo CLT”. O documento continha a assinatura de um supervisor e um carimbo com o nome e o endereço da unidade da empresa.
A entrega também foi projetada em um telão durante a confraternização. Fotos do momento foram posteriormente compartilhadas em um grupo corporativo de mensagens.
Segundo os relatos apresentados no processo, outros três técnicos de segurança do trabalho também receberam premiações na mesma categoria.
Uma testemunha mencionou ainda a existência de uma categoria chamada “curva de rio”, destinada a trabalhadores que paravam com maior frequência para conversar durante o expediente.
Justiça considerou situação humilhante
Para a juíza Juliana Ranzani, o uso da expressão “escravo” para identificar um trabalhador ultrapassou os limites de uma brincadeira e representou uma situação de exposição e humilhação pública.
A magistrada destacou que o termo está associado à desumanização e à violência institucional. Por isso, segundo a decisão, relacionar um trabalhador assalariado à condição de escravizado durante uma cerimônia pública constitui uma conduta considerada altamente ofensiva e reprovável.
O entendimento levou ao reconhecimento do direito à indenização por dano moral.
Empresa alegou que trabalhador era terceirizado
Durante o processo, a Kimberly-Clark afirmou que o profissional não fazia parte diretamente de seu quadro de empregados e sustentou que a confraternização não havia sido oficialmente organizada pela companhia.
A empresa também argumentou que a situação teria ocorrido como uma brincadeira informal entre colegas, sem intenção de ofender ou provocar dano moral ao trabalhador.
Em nota divulgada ao UOL, a Kimberly-Clark Brasil afirmou lamentar o episódio. A companhia declarou que a iniciativa partiu de um pequeno grupo, informou ter realizado uma investigação interna e disse ter adotado medidas para evitar a repetição de situações semelhantes.
(Com informações de UOL)
(Foto: Reprodução/Magnific)







