O governo da Argentina, presidido por Javier Milei, anunciou um novo plano de demissão voluntária que pretende eliminar 20 mil postos de trabalho na administração pública. A iniciativa, divulgada nesta segunda-feira (19), amplia a política de redução do funcionalismo adotada desde dezembro de 2023, quando o presidente assumiu o cargo.
O programa terá duração de um mês, com início previsto para 1º de novembro. Os valores pagos aos servidores que aderirem serão calculados conforme a idade e o tempo de serviço. Como contrapartida, os participantes ficarão impedidos de retornar ao serviço público por um período de oito anos.
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De acordo com o decreto publicado no Diário Oficial, a medida busca melhorar a distribuição dos recursos públicos. O ministro da Desregulação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, defendeu a iniciativa como parte da estratégia do governo para diminuir as despesas estatais e viabilizar novas reduções de impostos.
Argentina já eliminou mais de 77 mil empregos públicos
Os novos desligamentos se somam aos cortes realizados desde o início do governo Milei. Segundo dados divulgados por Sturzenegger em setembro, aproximadamente 77,5 mil postos de trabalho foram eliminados na administração pública nacional desde dezembro de 2023. O número corresponde a uma redução de 21% do total de empregos no setor.
A política de austeridade fiscal, conhecida como “motosserra”, tem colocado o funcionalismo público em evidência nas medidas de contenção de gastos. A estratégia busca reduzir a estrutura estatal e as despesas do governo, mas também provoca reações de entidades representativas dos trabalhadores.
A Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), sindicato que representa servidores públicos argentinos, anunciou uma mobilização contra o novo programa. Para a entidade, a proposta não pode ser considerada uma adesão voluntária quando os trabalhadores enfrentam pressões para deixar seus cargos.
O secretário-geral da ATE, Rodolfo Aguiar, classificou a iniciativa como uma forma de demissão coercitiva e manifestou rejeição integral ao decreto.
Setor privado também perdeu empregos na Argentina
A redução dos postos de trabalho não se restringe ao funcionalismo público. Segundo fontes sindicais, o setor privado formal argentino perdeu aproximadamente 270 mil empregos desde que Milei chegou à Presidência.
O cenário combina medidas de austeridade fiscal com a queda da atividade econômica, ampliando as preocupações sobre o mercado de trabalho e as condições de vida da população.
Em contrapartida, Sturzenegger afirma que foram criadas 400 mil vagas de trabalho no período. Esse total, porém, inclui ocupações informais e atividades autônomas, categorias que não correspondem necessariamente à criação de empregos formais com vínculo empregatício.
Informalidade avança no mercado de trabalho argentino
A informalidade é mais um fator de preocupação para os trabalhadores do país. A proporção de trabalhadores informais aumentou três pontos percentuais em três anos, alcançando aproximadamente 45%.
O crescimento da informalidade, somado à eliminação de empregos públicos e privados, evidencia os desafios enfrentados pelo mercado de trabalho argentino durante a implementação das políticas econômicas de Milei.
(Com informações de g1)
(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)







