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Com 179,5 milhões de contas ativas, plataforma Gov.br é essencial para o acesso dos brasileiros a serviços públicos e benefícios sociais

Serpro revela ataque cibernético em massa e sem precedentes contra o Gov.br

O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) reconheceu ter enfrentado um ataque cibernético considerado “sem precedentes” contra o Gov.br e suas estruturas tecnológicas. A informação foi divulgada por André Picoli Agatte, diretor de Novos Negócios da estatal, durante a II Semana de Inteligência Artificial do Serpro, realizada de 4 a 6 de novembro. Apesar da gravidade do episódio, não foram apresentados detalhes sobre os sistemas atingidos, a dimensão da ofensiva ou possíveis consequências para os usuários.

“Essa semana nós tivemos um ataque sem precedentes ao GovBR, enfim, às nossas estruturas, e nós temos conseguido responder. Nós temos mostrado resiliência e temos mostrado capacidade de resistir”, afirmou Agatte durante o evento, que contou com a participação do presidente do Serpro, Wilton Mota.

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O relato partiu do diretor de Novos Negócios, e não da área responsável pelas operações tecnológicas da estatal, diretamente relacionada à segurança e à continuidade dos serviços. Embora o pronunciamento tenha ocorrido em uma atividade oficial, aberta ao público e transmitida pelo YouTube, não houve, na ocasião, uma apresentação técnica sobre o incidente ou esclarecimentos institucionais sobre sua dimensão.

Durante sua exposição, Agatte abordava a importância da soberania digital e dos investimentos em infraestrutura tecnológica. Ao tratar dos desafios impostos pela inteligência artificial, mencionou o aumento da sofisticação dos ataques enfrentados pela empresa e utilizou a ofensiva contra o Gov.br como exemplo da necessidade de aprimorar os mecanismos de proteção.

O diretor afirmou que a estatal precisa ampliar sua capacidade de resistência e investimento em segurança para continuar protegendo os dados da população brasileira.

Entretanto, não esclareceu se o episódio envolveu tentativas de invasão, exploração de vulnerabilidades, sobrecarga dos sistemas ou outras modalidades de ataque. Também não houve, até o momento, confirmação de interrupção de serviços, vazamento de informações pessoais ou comprometimento de contas.

Ataque coloca em risco a segurança de serviços públicos

A gravidade da declaração ganha proporções maiores diante da importância do Gov.br para a população. Segundo dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), atualizados até outubro de 2026, a plataforma reúne 179,5 milhões de contas ativas, disponibiliza 5.390 serviços digitais federais e possui 4 mil sistemas integrados à identificação e autenticação dos cidadãos.

O portal também permite acessar mais de 8,7 mil serviços estaduais e municipais. Aplicações como Meu INSS, Meu SUS Digital, Carteira de Trabalho Digital, Carteira Digital de Trânsito, Enem e Fies estão entre as ferramentas disponíveis. A assinatura eletrônica de documentos, por sua vez, já contabiliza 592 milhões de utilizações.

O Gov.br tornou-se uma infraestrutura essencial para o acesso da população a direitos previdenciários, serviços de saúde, educação e informações relacionadas ao trabalho. Uma eventual indisponibilidade ou comprometimento dos mecanismos de autenticação poderia provocar dificuldades para milhões de brasileiros que dependem desses serviços.

Por isso, a divulgação de um ataque classificado como sem precedentes exige esclarecimentos sobre sua natureza e alcance, mesmo que não tenha ocorrido invasão bem-sucedida ou exposição de dados pessoais.

Presidente do Serpro já havia alertado sobre ataques com inteligência artificial

A declaração de Agatte ocorre semanas depois de o presidente do Serpro, Wilton Mota, abordar o crescimento das ameaças cibernéticas contra os sistemas da estatal.

Em entrevista no último dia 8, Mota afirmou que a empresa enfrentava diariamente uma grande quantidade de agentes de inteligência artificial tentando acessar seus ambientes tecnológicos e identificar vulnerabilidades.

Segundo o presidente, algumas dessas ferramentas se apresentam como mecanismos de busca de informações públicas, mas acabam consumindo recursos computacionais e testando o comportamento das plataformas digitais.

“O ataque hoje é na plataforma, não é no teu código”, afirmou Mota, ao explicar que a estatal vinha bloqueando tentativas de acesso e realizando correções de segurança, inclusive durante a madrugada.

Além disso, anunciou a intenção de ampliar o Centro de Operações de Segurança (SOC) do Serpro para atender também outros órgãos federais, em articulação com instituições como a Anatel.

(Com informações de Capital Digital)

(Foto: Reprodução/Magnific)

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