Contra retirada de direitos, manifestações reúnem milhares de pessoas pelo Brasil

Atos em todos os estados foram promovidos pela união das centrais sindicais contra as reformas do governo

Em mais uma manifestação pela defesa dos direitos trabalhistas e previdenciários consolidados no País, a CSB junto às demais centrais sindicais levaram às ruas, nesta sexta-feira (30), milhares de pessoas para protestarem contra as propostas de reformas do governo, chanceladas por parte dos deputados e senadores. Atualmente em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 38/2017 foi aprovado, nesta quarta-feira (28), pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 segue em análise na Câmara dos Deputados. Ambos os projetos promovem o fim da carteira assinada e o desmonte da Previdência Social, representando uma agenda de retrocessos a milhões de brasileiros.

Unidos pela rejeição das propostas, ao longo do dia, trabalhadores e sindicalistas manifestaram sua indignação com mobilizações e interdições de rodovias, avenidas e acessos a portos e aeroportos por todo o Brasil. Com bandeiras, faixas, carros de som e pneus, desde as primeiras horas da manhã, houve protestos em todos os estados. Atos e passeatas também tomaram conta das cidades de norte a sul do País.

Apenas em São Paulo, cerca de dez vias foram bloqueadas por manifestantes. Durante a manhã, houve protestos no acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos; na Avenida Washignton Luís; em uma das entradas da Universidade de São Paulo (USP); na Rodovia Régis Bittencourt; na Marginal Pinheiros; na Estrada Turística do Jaraguá; na Avenida São João; na Rodovia Anchieta; na Rua João Basso e na Rua Martins Fontes, além de mobilizações promovidas pelo Sindvestuário de Guarulhos nos terminais de ônibus dos bairros do Taboão e Pimentas, e pelo Sindpd, em frente às empresas de Tecnologia da Informação SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados) e BB Cobra Tecnologia com a adesão de 90% e 50% dos trabalhadores, respectivamente. Na parte da tarde, aeroportuários e funcionários da Anvisa, além de ato da Avenida Paulista somaram às manifestações paulistanas.

Segundo o presidente da CSB, Antonio Neto, o Brasil demonstrou que seus trabalhadores têm ampla capacidade de mobilização contra os retrocessos. “A gente vem num crescer de manifestações, com poder de reagir. Num País de dimensão continental, ocorreram tanto greves gerais do transporte público, quanto atos espalhados por cidades em locais onde o transporte funcionou”, avalia Neto. “Dentro da pressão que vem sendo feita, apresentamos nosso potencial de luta. Em várias cidades, a Justiça do Trabalho deu liminar às empresas no sentido de impedir a mobilização dos trabalhadores, mas o que a gente viu foi uma grande adesão”, completou.

Trata-se da terceira grande ação contra o ‘pacote de maldades’ do governo. A primeira greve geral foi em abril e a marcha em Brasília, em maio. O presidente da Central reiterou o saldo positivo da greve e alisou o engajamento da população. “Em relação ao número de atos, essa greve certamente foi a maior. Paramos avenidas, rodovias, empresas. Todos unidos por um único ideal: a luta pela preservação dos direitos dos trabalhadores”, destacou o dirigente.

Para Alvaro Egea, secretário-geral da CSB, as mobilizações desta sexta-feira foram um grito de indignação da sociedade perante o posicionamento do Congresso Nacional sobre as reformas. Segundo Egea, “os trabalhadores estão inconformados e conscientes do grave problema e ameaça que as reformas da Previdência e trabalhista representa”.

“Essa consciência é uma vitória do movimento sindical. Conseguimos, hoje, uma grande mobilização nas ruas, e os trabalhadores que não puderam ir estão se mobilizando de forma criativa. O povo brasileiro está insatisfeito com as propostas do governo e com a situação do País. Estamos vivendo uma grande crise política e moral no Congresso. Alguns trabalhadores não foram às ruas com medo do desemprego ou de perder um dia de trabalho, porém eles ainda não perderam a perspectiva de luta. Vemos este dia 30 de junho como uma vitória do trabalhador. Semana que vem, os senadores serão pressionados a não aprovar a reforma trabalhista. E acredito que temos chances de vencer devido à fragilidade da base do governo”, analisou.

Mais de 50 mil trabalhadores também promoveram fortes manifestações no Nordeste. Em Fortaleza (CE), sob a liderança do vice-presidente da CSB e presidente da Seccional Ceará da Central, Francisco Moura, os manifestantes se reuniram na Praça da Bandeira sob os lemas “Eleições Gerais já!” e “Juntos somos mais fortes!”. De acordo com Moura, “foi uma grande Greve Geral no município, que parou comércios e transportes”. “Isso demonstra que o povo quer o Fora Temer e está contra os desmandos deste governo ilegítimo, que serve apenas aos interesses dos empresários e banqueiros”, avaliou o dirigente.

Em Recife, a avenida Cruz Cabugá foi fechada. O mesmo aconteceu no quilômetro 180 da BR 428 (Petrolina), nos dois sentidos da A BR408 (Paudalho) e no quilômetro 80 da BR-101 (Prazeres), sentido Cabo de Santo Agostinho. Em Belém (PA) e São Luís (MA), sindicatos filiados à CSB fecharam a Avenida Presidente Vargas e interditaram a entrada do Porto do Itaqui. Já em Salvador (BA), o tráfego foi bloqueado na Avenida Antônio Carlos Magalhães e nos acessos ao Polo Industrial de Camaçari, localizado na região metropolitana do estado da Bahia.

Para lutar contra o fim da CLT, as ameaças ao FGTS, o 13º salário, as férias, a instituição do trabalho intermitente, do trabalho autônomo exclusivo, das restrições à aposentadoria e da precarização das relações de trabalho, desde as 3h30 da manhã, trabalhadores protestaram em Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Na capital Goiânia (GO), dirigentes sindicais se reuniram em frente aos portões do Eixo Anhanguera 001, bloqueando a saída da principal linha de ônibus da cidade, e se manifestaram na Praça Cívica. Segundo o vice-presidente da CSB Sandro Jadir Albuquerque, os atos foram pacíficos.

“A população de Goiânia demonstrou sua insatisfação. O transporte público parou durante toda a manhã e a CSB esteve presente na mobilização, mostrando a insatisfação com as propostas de reformas do governo. Aqui no estado, a Central tem participado juntamente com as outras entidades desse processo de resistência e conscientização dos trabalhadores”, relatou Albuquerque.

Ainda no Centro-Oeste do País, cerca de 2 mil pessoas protestaram na Praça Ari Coelho em Campo Grande (MS) e houve mobilizações na cidade de Juína (MT) e no Distrito Federal, onde teve bloqueio na BR-020 e metrôs e ônibus não circularam durante todo o dia.

Sudeste e Interior de São Paulo

Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro foram outros estados palcos das manifestações promovidas pelas centrais. Segundo Antonieta de Faria (Tieta), secretária da Mulher Trabalhadora da CSB, em Belo Horizonte (MG), chegaram a se reunir cerca de 30 mil trabalhadores pela derrubada do PLC 38/2017 e da PEC 287/2016. Estações de metrô, escolas estaduais e municipais e a Avenida Cristiano Machado também estiveram fechadas durante o dia na capital mineira. Para Tieta, “a luta se faz nas ruas, por isso a CSB e o SISIPSEMG estão fazendo da luta a força dos trabalhadores”.

Ainda houve mobilizações em Juiz de Fora e Contagem. De acordo com Cosme Nogueira, secretário de Formação Sindical da Central, presente no protesto de Juiz de Fora, a manifestação reuniu cerca de 10 mil pessoas e houve bloqueio na BR-267, altura do km 120, passeata pelas Avenidas Francisco Bernardino e Rio Branco e concentração na Praça da Estação. “O dia foi de muito trabalho; a militância da CSB e da FESERP/MG esteve firme nas ruas mobilizando as suas bases e a sociedade como um todo. Hoje, dia 30 de junho, Juiz de Fora ficou verde, verde de esperança, verde de CSB”, contou Nogueira.

Pela manhã, oito mil trabalhadores também protestaram no Espírito Santo. Entre eles, metalúrgicos, professores e trabalhadores da área da saúde aderiram à paralisação. Com pneus, manifestantes ainda interditaram a BR-101, na altura do km 7, localizada no município de Viana. “Nós viemos aqui mostrar para os senadores do estado que estamos atentos com o que ocorre em Brasília. Não queremos a retirada de direitos e nem o fim dos sindicatos”, afirmou Jorge Antonio Nascimento, secretário dos Servidores Públicos da CSB.

No Rio de Janeiro, passeatas tomaram as ruas do centro e da zona sul da capital. Manifestantes interditaram a Rua Pinheiro Machado, a Avenida 20 de Janeiro (na chegada ao aeroporto do Tom Jobim), a Linha Vermelha, a Avenida Brasil, a Avenida Lobo Júnior e a Avenida Vermelha, onde houve repressão policial. Funcionários e professores da UERJ participaram dos protestos.

Para ampliar a mobilização no Sudeste, o interior de São Paulo reuniu cerca de 2 mil trabalhadores e trabalhadores na cidade de Bauru – em frente à Câmara de Vereadores do município –, profissionais do campo em Tupã, sindicalistas e vereadores em Sorocaba, na Praça Coronel Fernando Prestes, e trabalhadores em Presidente Prudente, onde houve passeata pelas avenidas da cidade até o Ministério do Trabalho para pedir a rejeição de ambas as reformas propostas pelo governo.

O ato unificado das centrais sindicais na capital paulista aconteceu na manhã desta sexta em frente à Superintendência Regional do Ministério do Trabalho, no Centro. Donizete Aparecido Manoel, secretário-geral do Sindicato Único dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Osasco e Região (SUEESSOR), discursou para os trabalhadores que participaram do ato. “Somos nós, trabalhadores, que acordamos cedo, todos os dias, para produzir e gerar riqueza neste País. Não podemos permitir a retirada dos nossos direitos, que foram conquistados depois de muitos anos de luta. Nós merecemos respeito e não vamos permitir que esse governo pratique esses crimes. Esta reforma trabalhista vai acabar com todos os trabalhadores. Nós vamos voltar a ser escravos e não podemos permitir isso.  Fica aqui a mensagem da CSB e de todas as centrais unidas. Juntos, nós vamos conseguir derrotar essas reformas.

Sul do País

No Rio Grande do Sul, Paraná e em Santa Catarina, seis rodovias foram bloqueadas nesta sexta-feira pela rejeição do PLC 38/2017 e da PEC 287/2016. Nas terras gaúchas, a BR-293 (altura da cidade de Candiota), a BR-386 (altura do município de Sarandi) e a BR-470 (em Navegantes) foram tomadas por manifestantes. Ainda no estado, foram promovidos protestos e marchas pela CSB/RS em Porto Alegre com a participação das categorias dos servidores públicos, administradores, técnicos científicos, assistentes sociais, trabalhadores da área da educação e engenheiros.

Já no Paraná, milhares de manifestantes protestaram em Curitiba e em cidades do interior. Houve mobilizações de metalúrgicos, coletores de lixo e bancários com o fechamento de 39 agências na capital do estado e em São José dos Pinhais. A BR-476, a BR-153, na altura de General Carneiro, o município de Ponta Grossa, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel e Francisco Beltrão também foram palco de mobilizações.

De acordo com o presidente da Seccional da CSB no Paraná, Agenor Pereira (Cacá), os sindicatos e trabalhadores participaram ativamente das mobilizações programadas pelas centrais porque não há mais tolerância com os desmandos do governo. “Nenhum trabalhador concorda com a proposta de reforma trabalhista e da Previdência porque elas são nefastas, vão retirar todos os nossos direitos conquistados nos últimos 50 anos. Essa reforma só favorece os detentores do capital”, reiterou Cacá.

Na rodovia BR-282 em Santa Catarina, todas as entradas à cidade de Chapecó foram bloqueadas (SC).

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