Com pauta unificada, centrais reúnem milhares de pessoas em todo o Brasil

CSB atuou efetivamente em vários estados apoiando os seus filiados; na Avenida Paulista, manifestação fechou o centro financeiro de São Paulo

O Dia Nacional de Lutas, realizado hoje (11) em todo o País, foi um importante aquecimento para o movimento sindical brasileiro. Desde a madrugada, paralisações, atos e manifestações nas rodovias, empresas, praças, ruas e aeroportos tomaram conta do Brasil para reivindicar a ação do governo e do Congresso Nacional para destravar a pauta trabalhista.

Em São Paulo, o centro das manifestações foi a Avenida Paulista, marco financeiro da capital. Dezenas de milhares de trabalhadores atenderam ao pedido das centrais sindicais e dos sindicatos filiados e interditaram a avenida. Comerciários, trabalhadores do setor de Tecnologia da Informação, motoboys, químicos, metalúrgicos, estudantes, representantes dos movimentos sociais, trabalhadores do transporte, construção civil e servidores públicos participaram da mobilização. Os bancos e parte do comércio local também fecharam as portas.

Um grande caminhão de som ocupou um dos sentidos da Paulista e serviu de palco para os discursos dos dirigentes sindicais. O presidente da CSB, Antonio Neto, discursou para os manifestantes enfatizando as bandeiras de luta da entidade.

“Estamos aqui para lutar pelo fim do fator previdenciário, pela redução da jornada de trabalho, por saúde, educação e segurança para o povo. Queremos deixar um recado importante: se nossas reivindicações não forem atendidas, estamos prontos para fazer uma greve geral no Brasil para chamar a atenção do Congresso para as questões dos trabalhadores”, enfatizou Neto.

O dirigente condenou a decisão liminar da Justiça Federal em São Paulo, atendendo a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), que proibiu que as centrais fechassem as rodovias sob pena de multa de R$ 100 mil por hora. “Esta decisão é um abuso contra a liberdade de intervenção, greve e mobilização dos trabalhadores”, ressaltou o presidente da CSB.

A vez dos trabalhadores

A CSB cobra do governo federal respostas concretas sobre assuntos da pauta trabalhista há anos esquecidos na Câmara e no Senado, além de contestar algumas ações que apenas beneficiam a elite.

Desde o governo Lula, as questões substanciais da pauta dos trabalhadores não avançam.  A redução da jornada de trabalho e o fim do fator previdenciário não saem do papel. A licença-maternidade obrigatória de seis meses está parada, mas as questões de interesse dos empresários ‑ especialmente financiamentos públicos sem contrapartida social, isenção e outros benefícios ‑ são prontamente atendidas.

CSB, 11 de julhoEm 2013, pela estimativa da Receita Federal, serão ao menos R$ 170 bilhões em isenções, alíquotas reduzidas e deduções. A quantia equivale a quatro vezes o orçamento de São Paulo. “O fim do fator previdenciário custaria R$ 3 bilhões anuais para o governo. Como ele abre mão de 170 e não pode arcar com os custos do fim do fator, que não fazem nem sombra à fortuna que a Receita Federal deixou de receber”, argumentou Antonio Neto.

“Ontem, o Congresso engavetou os vetos presidenciais, enterrou o fim do fator previdenciário, e ao mesmo temo a Câmara aprovou projeto ampliando a desoneração de dez setores”, completou.

Para o secretário-geral da CSB, Alvaro Egea, que também representou a Central na mobilização da Paulista e em Guarulhos, as pautas dos trabalhadores são assunto prioritário. “Já chega da generosidade do governo com os empresários. Agora chegou a vez da classe operária, aquela que faz o Brasil caminhar para o desenvolvimento, ser ouvida”, sentenciou Egea.

Segundo informações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pelo menos R$ 10,4 bilhões foram emprestados para o grupo EBX, de Eike Batista. “Será que este dinheiro não seria investido de maneira mais efetiva na área social do BNDES? Isso é recurso do trabalhador, dinheiro do FAT [Fundo de Amparo ao Trabalhador], que está desviado para mãos privadas”, comentou indignado o presidente da CSB.

Antonio Neto defende a desoneração da folha de pagamento, mas afirma que este processo não pode se transformar em aumento de lucros para patrões e acionistas. “O governo não pode privilegiar ainda mais os ricos e penalizar os trabalhadores e os aposentados. Está na hora de o governo buscar verdadeiramente o apoio das ruas e não virar as costas para os trabalhadores”, defendeu.

As principais reivindicações da Central são:

• Fim do Fator Previdenciário;

• Jornada de 40 horas semanais, sem redução salarial;

• Reajuste digno para os aposentados;

• Mais investimentos em saúde, educação e segurança;

• Regulamentação da Convenção 151 da OIT;

• 30 horas para profissionais de enfermagem;

• Transporte público de qualidade;

• Fim do Projeto de Lei 4330 que amplia a terceirização;

• Reforma Agrária;

• Fim dos leilões do petróleo.

Atos pela capital e interior

Desde cedo, as ruas, rodovias e avenidas de São Paulo foram bloqueadas pelos manifestantes. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Vestuário de Guarulhos (Sindvestuário), filiado à CSB, organizou uma paralisação desde as 4h da manhã na região. Às 8h, os manifestantes saíram em passeata pelas ruas bloqueando as rodovias Presidente Dutra e Fernão Dias, de forma organizada e pacífica.

“Os trabalhadores têm uma posição clara em relação às suas reivindicações. As pautas estão paradas, e essa mobilização é um alerta ao governo de que é hora de agir em defesa do povo”, afirmou Alvaro Egea, que também é presidente do Sindvestuário.

O Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Sindpd), também filiado à CSB, participou da mobilização na capital paulista com o apoio da Central. Fazendo panfletagem nas empresas de TI e mobilizando os trabalhadores, o Sindpd compareceu em massa à Avenida Paulista e em frente às empresas do setor.

CSB, 11 de julho

Outras rodovias, como Anhanguera, Ayrton Senna, Rio-Santos, Mogi-Bertioga, Cônego Domênico Rangoni, Raposo Tavares, Castello Branco e o Rodoanel foram bloqueadas. A ponte Octávio Frias de Oliveira (estaiada) ficou interditada por mais de duas horas; o mesmo aconteceu na Avenida Alcântara Machado (Radial Leste) e avenidas da região.

O comércio na Rua 25 de Março – popular centro de comércio da Capital – fechou as portas em apoio ao Dia Nacional de Lutas.

Pelo Brasil

O Dia Nacional de Lutas bloqueou 88 trechos de rodovias em 18 estados do País. Pelo menos 156 cidades aderiram às manifestações e centenas de milhares de trabalhadores foram às ruas para reivindicar a pauta trabalhista.

Porto Alegre

Em Porto Alegre, a quinta-feira começou como um dia de feriado, com ruas praticamente vazias, transporte público em funcionamento parcial. A cidade se preparou antecipadamente para os protestos na data e mobilizou milhares de pessoas nas ruas.

Minas Gerais

Em Belo Horizonte, mais de 10 mil pessoas lotaram as ruas do centro da capital mineira.

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Juiz de Fora (Sinserpu-JF), filiado à CSB, convocou os trabalhadores, que se concentraram porta do Hospital de Pronto-Socorro com o intuito de chamar a atenção das autoridades sobre o atual estado da unidade, a principal do setor em Juiz de Fora.

Campo Belo - Dia 11 de julho 007

O sindicato reivindicou também a abertura imediata de concurso público para a prefeitura, o fim do processo de terceirizações, o reconhecimento das educadoras de creche como professoras e também a convocação de um plebiscito em favor da reforma política.

Cosme Nogueira, diretor da CSB em Minas Gerais, participou do evento. Para ele, o momento é crucial. “Os trabalhadores perceberam que chegou a hora de governo ouvi-los, e os sindicatos têm a responsabilidade de fazer o papel de interlocutor das categorias”, explicou.

Mato Grosso do Sul

Cerca de 35 mil pessoas participaram dos protestos organizados pelas centrais sindicais. Manifestantes ocuparam o centro de Campo Grande. A CSB organizou a manifestação, representada por José Lucas da Silva, diretor de finanças, que transcorreu de forma pacífica e organizada.

Bahia

A CSB também esteve presente em Salvador – com bandeiras, faixas e cartazes ‑ numa passeata que reuniu milhares de pessoas do bairro Campo Grande à Praça Municipal. Professores, bancários, comerciários e profissionais da Saúde aderiram à paralisação.

Rio de Janeiro

Cerca de dez mil pessoas bloquearam as avenidas Presidente Vargas, Rio Branco e a igreja da Candelária, e marcharam pelas ruas do centro.

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Reflexos

A CSB esteve em todo o Brasil, organizando as manifestações e mobilizando seus sindicatos. A partir de amanhã, outras informações e imagens do Dia Nacional de Lutas em Mato Grosso, Paraná e Pará serão destacadas no site da Central.

Para o presidente da CSB, o resultado da mobilização foi satisfatório. “Os trabalhadores e o movimento sindical saíram fortalecidos depois do dia de hoje. Estabelecemos um marco na história do Brasil e esperamos respostas concretas do governo para atender à pauta dos trabalhadores”, concluiu Antonio Neto.

Veja a galeria de fotos do Dia Nacional de Lutas – 11 de julho

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