A possibilidade de substituir servidores públicos por inteligência artificial (IA), em vez de realizar concursos para preencher vagas abertas por aposentadorias, passou a integrar o debate sobre as propostas econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A ideia foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora da área econômica do candidato, como parte de uma estratégia para reduzir despesas e reorganizar a estrutura do Estado.
Em entrevista ao podcast G4, a economista questionou a necessidade de realizar novos concursos para repor profissionais que deixam o serviço público e defendeu avaliar a substituição gradual dessas funções pela tecnologia. Durante participação no programa Pânico, da Jovem Pan, nesta segunda-feira (19), Daniella voltou a abordar o tema.
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A proposta, porém, não detalha quantos cargos poderiam ser afetados, quais carreiras estariam sujeitas à substituição nem como seria assegurada a continuidade dos serviços públicos prestados à população.
Após a repercussão negativa, integrantes da campanha e apoiadores argumentaram que a iniciativa poderia aumentar a eficiência administrativa e fortalecer carreiras consideradas essenciais, com melhores remunerações para os servidores que permanecessem no quadro estatal.
Substituição de servidores por IA gera incertezas sobre concursos públicos
A proposta de não repor parte dos servidores aposentados pode provocar uma redução gradual do funcionalismo público. Nesse modelo, as atribuições de profissionais que deixam seus cargos seriam transferidas para ferramentas tecnológicas, sem a abertura de novos processos seletivos para determinadas funções.
A discussão envolve não apenas a realização de concursos públicos, mas também o futuro das carreiras administrativas e operacionais, a organização dos órgãos estatais e a capacidade de atendimento à população.
Daniella Marques já havia defendido a revisão de funções públicas diante do avanço da inteligência artificial. Em agosto, durante participação no programa Pânico e no 25º Fórum Empresarial do Grupo Lide, a economista abordou a possibilidade de substituir atividades administrativas e operacionais por tecnologia, associando a mudança à redução dos custos da máquina pública.
Na avaliação apresentada pela equipe econômica, o enxugamento do Estado deveria passar pela revisão de despesas e estruturas consideradas excessivas. A estratégia, contudo, ainda não veio acompanhada de informações precisas sobre o número de postos que poderiam deixar de existir ou os efeitos concretos da automação sobre os serviços públicos.
Campanha de Flávio Bolsonaro defende reforma administrativa e cortes de gastos
A redução da estrutura estatal é uma das principais bandeiras econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato tem utilizado uma tesoura gigante em eventos para simbolizar a proposta de cortar despesas públicas, iniciativa apresentada como um esforço para diminuir o tamanho da máquina administrativa.
Durante o Fórum Empresarial do Grupo Lide, Daniella Marques afirmou que, caso o senador seja eleito presidente, a equipe pretende apresentar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) antes da posse, com medidas para reorganizar a administração federal e reduzir gastos.
A proposta inclui a diminuição do número de ministérios para uma faixa de 20 a 25 pastas, além da revisão de despesas operacionais e administrativas, do arcabouço fiscal e de pagamentos considerados excessivos. A equipe também menciona o enfrentamento de sobreposições entre ações governamentais.
Entretanto, não há estimativa oficial do impacto fiscal dessas medidas. A ausência de projeções dificulta avaliar quanto os cortes poderiam representar para as contas públicas e quais seriam as consequências para a prestação de serviços à sociedade.
Campanha de Flávio Bolsonaro defende reforma administrativa e cortes de gastos
A redução da estrutura estatal é uma das principais bandeiras econômicas da campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato tem utilizado uma tesoura gigante em eventos para simbolizar a proposta de cortar despesas públicas, iniciativa apresentada como um esforço para diminuir o tamanho da máquina administrativa.
Durante o Fórum Empresarial do Grupo Lide, Daniella Marques afirmou que, caso o senador seja eleito presidente, a equipe pretende apresentar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) antes da posse, com medidas para reorganizar a administração federal e reduzir gastos.
A proposta inclui a diminuição do número de ministérios para uma faixa de 20 a 25 pastas, além da revisão de despesas operacionais e administrativas, do arcabouço fiscal e de pagamentos considerados excessivos. A equipe também menciona o enfrentamento de sobreposições entre ações governamentais.
Entretanto, não há estimativa oficial do impacto fiscal dessas medidas. A ausência de projeções dificulta avaliar quanto os cortes poderiam representar para as contas públicas e quais seriam as consequências para a prestação de serviços à sociedade.
Gastos com servidores e equilíbrio fiscal
O Orçamento de 2027 prevê despesas federais com pessoal superiores a R$ 450 bilhões. Os gastos e investimentos com pessoal e encargos sociais representam uma parcela expressiva das despesas obrigatórias do governo.
Apesar disso, a redução do número de servidores, isoladamente, não é apontada como solução suficiente para garantir o equilíbrio fiscal. A discussão também envolve a organização das carreiras, a eficiência administrativa e a qualidade dos serviços oferecidos à população.
A especialista em gestão pública Naymare Azevedo reconhece a necessidade de reestruturar o funcionalismo, mas critica uma abordagem concentrada na eliminação de postos de trabalho.
“Não é a solução. Concordo que se precisa de uma reestruturação, mas é preciso pensar em formas mais funcionais de se pensar o lugar do funcionalismo público, de como os cargos podem ser mais funcionais, de forma que esse funcionário também retorne para o Estado, para a coisa pública, para a máquina pública, de uma maneira eficaz, com ética, com qualidade, mas destruir o lugar dos servidores públicos é absurdo”, afirma.
Azevedo também questiona a ideia de tratar a inteligência artificial como substituta direta dos trabalhadores.
“Sabemos que as IAs são ferramentas, avanços tecnológicos com muitos anos de estudos e pesquisas desenvolvidas por pessoas e pensadas para as pessoas na otimização do tempo, na capacidade produtiva e na organização. Esse discurso de substituição de vagas no funcionalismo público por máquinas é uma tentativa de desumanizar o Estado e as esferas públicas da sociedade”, acrescenta.
Inteligência artificial no serviço público: tecnologia não elimina a necessidade de servidores
O debate sobre a automação de atividades públicas exige distinguir o uso da tecnologia para apoiar o trabalho da substituição de profissionais sem uma avaliação detalhada das consequências.
A inteligência artificial pode ser apresentada como instrumento de modernização administrativa, mas a proposta da campanha de Flávio Bolsonaro levanta questões que permanecem sem respostas: quais atividades poderiam ser automatizadas, quais carreiras seriam preservadas e como garantir que a população continue recebendo atendimento adequado?
Também é necessário considerar os efeitos de uma eventual redução do quadro de servidores sobre a organização dos órgãos públicos e a execução de suas atribuições.
Sem a definição dos cargos atingidos, dos critérios de substituição e das garantias para a continuidade dos serviços, a proposta deixa em aberto pontos fundamentais para avaliar sua viabilidade.
Perguntas frequentes sobre a proposta de substituir servidores por IA
• A campanha de Flávio Bolsonaro propõe acabar com os concursos públicos?
A proposta apresentada por Daniella Marques prevê deixar de realizar concursos para repor parte dos servidores que se aposentam, transferindo determinadas atribuições para sistemas de inteligência artificial. Não foram detalhados o alcance da medida nem as carreiras que poderiam ser afetadas.
• Como a inteligência artificial seria utilizada para substituir servidores?
A ideia é utilizar sistemas automatizados para assumir atribuições de profissionais que deixarem seus cargos por aposentadoria, reduzindo gradualmente a necessidade de reposição de parte do funcionalismo. A proposta não especifica quais atividades seriam automatizadas nem como ocorreria a implementação.
• Quais servidores públicos poderiam ser afetados?
A coordenadora econômica da campanha mencionou a revisão de carreiras administrativas e operacionais, mas não apresentou uma lista de cargos ou órgãos que seriam atingidos. Também não foram divulgadas estimativas sobre o número de vagas que poderiam deixar de ser preenchidas.
• O que é o chamado “tesouraço” na máquina pública?
É a estratégia defendida pela campanha para reduzir despesas e enxugar a estrutura administrativa do Estado. As medidas incluem diminuir o número de ministérios, revisar gastos operacionais e administrativos e reavaliar estruturas governamentais.
• O que especialistas dizem sobre a substituição de servidores por inteligência artificial?
Defendem que a inteligência artificial deve ser tratada como uma ferramenta de otimização e não como um meio para substituir trabalhadores especializados do serviço público. A tecnologia deve contribuir para melhorar as atividades, preservando a qualidade dos serviços e o papel dos profissionais.
(Com informações de A Tarde)
(Foto: Carlos Moura/Agência Senado)







