Central dos Sindicatos Brasileiros

Antonio Neto critica vaias de empresários à retomada do debate sobre a reforma trabalhista

Antonio Neto critica vaias de empresários à retomada do debate sobre a reforma trabalhista
Presidente da CSB participou de encontro da Central no interior de São Paulo, que também contou com a presença do ex-ministro Ciro Gomes, vaiado na CNI ao dizer que pretende discutir a Lei 13.467 se eleito presidente da República

 

Em discurso durante o Encontro da CSB em Bauru (SP), o presidente da Central, Antonio Neto, fez críticas a empresários que estiveram em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com pré-candidatos à Presidência da República na última quarta-feira (04). Neto condenou as vaias dos representantes do setor patronal à afirmação feita pelo ex-governador do Ceará Ciro Gomes de que, se eleito presidente do Brasil, trará a reforma trabalhista para o centro das discussões nacionais. Segundo Neto, “a declaração dada por Ciro à CNI é tudo aquilo que nós gostaríamos de dizer” sobre uma reforma que destrói direitos históricos dos trabalhadores.

“Aqueles dirigentes da indústria brasileira parecem que estão atrapalhados com o momento político, econômico e social, de que o Brasil tem mais de 34 milhões de pessoas no subemprego e 14 milhões de desempregados”, disse o presidente da CSB.

Sob esta ótica, Antonio Neto destacou a gravidade do momento vivido pela classe trabalhadora. Em sua análise, o País está diante de uma verdadeira entrega das riquezas nacionais e das estatais brasileiras. Para ele, “esse desgoverno está fazendo tudo para deixar quase que inviabilizado o Brasil para o próximo presidente da República”.

Por isso, Antonio Neto argumenta que a tarefa dos sindicatos é “árdua e difícil”. O País, de acordo com o presidente da CSB, não pode correr o risco de validar nas urnas um “projeto golpista ultraliberal que está assolando o Brasil”. Neto reitera que é preciso eleger uma candidatura comprometida com o trabalhador e o povo brasileiro, que tenha um projeto nacional de desenvolvimento, uma visão clara sobre a crise fiscal e tributária, além de plena ciência e compromisso com as estatais brasileiras.

Reorganização e luta

A decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a contribuição sindical também foi analisada pelo dirigente. “Na semana passada, o STF julgou a questão da constitucionalidade ou não da facultatividade da contribuição sindical. Politicamente fizeram um julgamento contra a classe operária, contra o povo trabalhador”, criticou Neto.

De acordo com o presidente, o momento é de reorganização e planejamento. Neto explicou como o movimento sindical foi atacado pela ditadura militar desde a década de 1960 e de que forma os trabalhadores foram representados desde então. “Mais de mil intervenções foram feitas no primeiro momento da ditadura militar, em abril, dentro de todos os sindicatos, e nós sobrevivemos. Construímos uma grande representação de trabalhadores, fizemos a Constituição Cidadã, que agora parece que não querem sequer respeitá-la”, disse sobre a disposição do movimento sindical em se fortalecer diante de cada nova dificuldade.

Agenda da Classe Trabalhadora

Durante o evento em Bauru, na tarde desta quinta-feira (05), Antonio Neto entregou previamente a Ciro Gomes a Agenda da Classe Trabalhadora, documento com propostas pautadas na transformação para o País, pelo combate a todas as formas de desigualdade, contra a reforma trabalhista e pela promoção do emprego de qualidade, pela liberdade, pela democracia, soberania nacional e justiça social. A Agenda será entregue pelas centrais a todos os pré-candidatos à Presidência da República.

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