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Cid Gomes diz que “o Brasil precisa ser um país mais justo, um país menos desigual”

Cid Gomes diz que “o Brasil precisa ser um país mais justo, um país menos desigual”
Em entrevista, ex-ministro da educação e ex-governador do Ceará afirma que uma das chaves para o desenvolvimento do Brasil é construir um projeto nacional com foco no mercado consumidor interno

 

Entrevistado do programa +Opinião São Paulo, da Fundação Leonel Brizola Alberto Pasqualini, o ex-governador do Ceará e ex-ministro da Educação Cid Gomes falou sobre um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Entrevistado por Antonio Neto, presidente da CSB, e Gabriel Cassiano, estudante de economia da PUC SP, Gomes falou sobre educação, segurança, a importância da distribuição de renda e a recuperação do salário mínimo.

O evento, transmitido pelo Facebook na noite desta quinta-feira (28), apresenta debates sobre o atual cenário político, econômico e social do Brasil.  Quando perguntado sobre se é possível um projeto nacional, com a conjuntura atual, Cid Gomes é direto e traz dados. “O Brasil, só de compras governamentais, gasta R$ 18 bilhões na área da saúde. A grande parte dos insumos vem de fora. Isso poderia ser produzido aqui, gerando empregos”.

Outro exemplo trazido por ele é a questão do petróleo, que apareceu mais de uma vez durante a entrevista ao ex-governador do Ceará. “O Brasil exporta petróleo cru e importa material refinado, e ainda aplica os preços vinculando ao mercado internacional”. Para Gomes, o segredo é usar o mercado consumidor brasileiro e investir no que se produzir aqui. O petróleo é uma área estratégia para qualquer país. “Nenhum país do mundo abre mão do controle estratégico dessa área como Brasil tem feito”, criticou.

Segundo o ex-ministro, concentrar-se nas oportunidades de produzir aqui insumos como os grãos, em que somos os maiores produtores e exportadores, é o caminho para criar uma política de defesa das indústrias. “A potencialização desse mercado vai dar mais competitividade às nossas empresas”. Fortalecer o Mercosul e os Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, é outro caminho apontado como fundamental para o sucesso deste programa.

Crescimento e distribuição de renda
Para o ex-governador do Ceará, umas das chaves para o desenvolvimento do País está na diminuição da concentração de renda e da desigualdade no Brasil. No entanto, segundo Cid Gomes, “infelizmente não temos conseguido há décadas um ritmo de crescimento permanente que atenda ao crescimento e à substituição da tecnologia”.

Na entrevista dada a Antonio Neto e Gabriel Cassiano, Gomes cita que há um problema quando o poder público defende que haja “uma exploração do capital sobre o trabalho, que a maior parte dos itens dessa reforma (trabalhista) fez”. Para o político a estratégia de usar um momento de crise para precarizar as relações de trabalho não serve ao desenvolvimento, que precisa de pessoas com renda e trabalho para serem consumidores. “Tudo que tem o objetivo de precarizar as relações de trabalho deve ser repensado”, completou.

Para Cid Gomes, a política de recuperação do salário mínimo sob a lógica de fomentar o mercado consumidor. “Não haverá aumento da produção se não houver aumento da renda”, afirma o ex-governador.

Educação e segurança pública
Como ex-ministro da educação, o tema não poderia deixar de ser um dos focos da entrevista no +Opinião São Paulo. Cid Gomes diz que o setor é o “caminho definitivo para o Brasil”. Para ilustrar o que é possível fazer, ele cita sua experiência como prefeito da sua cidade natal, Sobral, e também como ex-governador do Ceará.

“É uma experiência replicável, que mesmo com dificuldade conseguimos conquistas importantes. Com o esforço feito em Sobral, conseguimos taxa de alfabetização de 95%, e isso consegue superar a falta de formação dos professores e cria uma cumplicidade entre a comunidade escolar e os alunos”, diz Gomes ao afirmar que a solução é investir na alfabetização na idade certa, ou seja, entre 6 e 7 anos. Graças a essa política de alfabetização, o estado do Ceará tem hoje 77 escolas entre as 100 melhores do Brasil.

Quando perguntado sobre segurança pública, Cid Gomes volta à desigualdade. “Temos hoje um problema mais complexo, que envolve perda de valores, famílias que foram prejudicadas por não terem tido oportunidade, uma agudização das desigualdades”.

Promover um país mais justo, então, seria um caminho para esse problema segundo o entrevistado. Além disso, o ex-governador do Ceará aponta que municípios, estados e União tenham funções bem definidas e melhor comunicação. “A União, por exemplo, deveria focar na inteligência e proteção das fronteiras, o que inclui portos e aeroportos”, argumenta.

Assista à integra da entrevista abaixo:

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