Central dos Sindicatos Brasileiros

Sindicalista propõe radicalizar o movimento pelo RGA e denuncia deputados

Sindicalista propõe radicalizar o movimento pelo RGA e denuncia deputados

Antônio Wagner denuncia deputados de apoiarem o governo para ter proteção nos crimes que cometeram na gestão passada

O sindicalista e coordenador da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antônio Wagner, tem despontado como a ‘cara’ do movimento pelo RGA este ano. Sem papas na língua, Wagner foi recebido na redação do Muvuca Popular para esta entrevista, e acabou denunciando deputados de estarem votando com o governo porque tem o ‘rabo preso’, ou seja, proteção dos crimes que cometeram na gestão passada.

Wagner tem um repertório bastante vigoroso e sabe o que está falando. Em determinado ponto avisa os servidores que eles estão perdendo um carro popular por ano com o não pagamento da RGA.

Diante da última luta realizada pelo Fórum Sindical em relação ao pagamento do da Revisão Geral Anual (RGA) do ano passado, ter sido um tanto frustrada no que diz respeito ao apoio dos deputados estaduais, o sindicalista vê a necessidade de radicalização do movimento dos servidores.

“Essa é uma posição pessoal minha, não é do Fórum, e eu entendo que a palavra de ordem é radicalizar um pouco. Mas radicalizar no sentido em que primeiro temos que conscientizar os servidores dos seus direitos e ocupar a Assembleia Legislativa e só sair de lá com ordem judicial”, ressalta.

A ideia apontada pelo sindicalista é de que, um servidor consciente dos seus direitos e de suas perdas é um servidor atuante nas manifestações. A ocupação da casa de leis é uma das tônicas apontadas por Wagner, pois segundo ele, até como prova de que aquela casa é o lugar do povo.

Wagner aponta ainda que a dívida do estado vem sendo paga pelos servidores do executivo, então se vê necessário estampar o rosto dos deputados que foram beneficiados com as obras da copa, por exemplo, que foi um dos maiores escândalos de roubo do dinheiro público que aconteceu no Estado de Mato Grosso.

“O segundo ponto de radicalização, é que devemos expor em todo o estado, os deputados que receberam recursos por conta de obras superfaturadas, acho que estamos sendo muito lenientes com as denúncias que foram expostas”, aponta.

Leia a íntegra da entrevista

Muvuca Popular: Na data-base para pagamento do RGA este ano, o governo mais uma vez protelou, empurrou para ano que vem, e mesmo assim os servidores continuam protestando. Como está sendo essa luta?

Antônio Wagner: O contexto é que desde agosto do ano passado, o governo não se reúne com o fórum sindical, embora a gente tenha oficiado mais de uma dezena de vezes para o poder executivo para que a gente começasse a conversar sobre o teto de gastos, a questão da tentativa de aumento da alíquota sobre a previdência e também que começasse a prever um planejamento sobre a questão da recomposição inflacionária 2017. Isso não aconteceu, o governo de forma unilateral chama a imprensa, e não convida os presidentes do fórum sindical para estarem presentes e anuncia um parcelamento para 2018, da recomposição que deve ser paga em 2017. Aquilo já mostrou o tom da negociação. Que não haveria negociação e que seria uma nova imposição do governo. Então forçamos uma reunião com o secretário de gestão e ele prometeu que haveria uma segunda reunião e que iria encaminhar o projeto, mas essa semana fomos surpreendidos com o encaminhamento do projeto para a assembleia sem a gente discutir uma contraproposta mínima, porque os servidores e a assembleia unificada não aceitaram a proposta apresentada pelo governo.

Muvuca Popular: Qual o sentido da mobilização em meio essa indefinição?

A mobilização de hoje é uma tentativa de sensibilizar a assembleia que o desgaste não é dela, primeiro que ela tem uma questão de impeditivo inconstitucional. A assembleia não pode criar gastos para o poder executivo, o legislativo não pode criar gastos para o poder executivo. Então qualquer tipo de emenda trazendo para 2017 o que foi proposto para 2018 é inconstitucional. Então a assembleia não pode cumprir esse papel que não é dela, de negociar. Ela tem de devolver o papel para o poder executivo e sentar na mesa e o executivo mandar um substitutivo. Da maneira que está posta ninguém aceita, então o que a gente já tem cálculo de que quem ganha três mil já perdeu cinco mil e pouco, feito cálculo até dezembro já computando que não está pagando 6% até dezembro, quem ganha até cinco mil, fizemos o cálculo que vai perder cerca de nove mil reais. E quem ganha até dez mil, vai perder até dezoito mil reais, até dezembro com o parcelamento do ano passado. Esses cálculos mostram que é quase o preço de um carro popular em um ano e meio com o não pagamento da recomposição inflacionária.

Muvuca Popular: Vocês sabem que foram patolados desde a LOA do ano passado, e o governo disse que os sindicatos comeram barriga…

Antônio Wagner: Sim. Já havia se falado sobre a história do teto de gasto, da questão da dívida pública e a tentativa de renegociação publica com o governo federal. Nós conseguimos barrar isso desde o ano passado, e os dirigentes ficaram até 23 de dezembro prostados dentro da assembleia legislativa. O governo realmente disse essa história da LOA, que nós permitimos, mas a verdade é que não deixamos que fosse inserido o percentual que caberia naquele orçamento colocado para gastos pessoal, dos 6% caberia ali dentro. A questão também da tentativa do governo em renegociar a dívida com o governo federal e para isso aumentando a dívida da previdência, e cortando recomposição inflacionaria, progressões de classes de nível, novos concursos, só não aconteceu por pressão do movimento sindical isso era fato consumado. Então isso não aconteceu, houve sim uma pressão do movimento sindical e principalmente por questão técnica onde se mostrou que Mato Grosso não se enquadrava nos critérios, tanto da LEI 257 que foi a primeira tentativa de renegociação que não atingiu a contrapartida que era exigida desde o início, e que a câmara acabou retirando por pressão, e aí veio a tona a PLC 343 que era uma nova tentativa de renegociar a dívida dos estados e impondo algumas contrapartidas onde elas também foram retiradas e se comprovou tecnicamente que o governo do estado não se insere nos critérios exigidos para fazer essa negociação. Aliás, o gasto com amortização e juros da dívida e o gasto com o pessoal não poderia ser maior que 60% da receita corrente liquida. Tinha três critérios ali que o governo do estado não se enquadrava e mesmo assim ele insistia em fazer essa renegociação e agora a gente volta a um tencionamento desnecessário, um amadorismo na articulação da política do governo horrendo, assustadora, sem pensar que no momento existe crise dos grampos, em um momento que algumas delações apontam que sete deputados da Assembleia Legislativa foram beneficiados com esse aumento da dívida pública porque foram contraídas exatamente com autorização da AL, e basicamente para fazer as obras da copa que irrigaram os bolsos de políticos corruptos. Então a gente tem que deixar isso muito claro também, acho que é uma narrativa que a gente tem que fortalecer porque só assim a gente começa a mostrar para a sociedade que, a dívida pública não foi uma coisa “Ah, meu Deus de onde surgiu?’’ Ela veio lá do BEMAT. Só que também ela teve um acréscimo com as obras da copa do mundo e essas obras só se provou pela delação do Riva que elas irrigaram bolso de alguns parlamentares que agora querem tirar direito dos servidores para bancar uma dívida que eles geraram para se beneficiar. Então essa é a narrativa que a gente tem que vincular, inclusive a assembleia legislativa como corresponsável pelo aumento da dívida pública e não servidores. E agora também, o que nos assusta, como o governo fez num passe de mágica, a crise da saúde virar responsabilidade da folha de pagamento, R$ 120 milhões virou responsabilidade da folha de pagamento, e não dos R$ 3 bilhões e meio, 1 bilhão e duzentos, mais 2 bilhões e meio, mais 3 bilhões e meio de renúncia e incentivos fiscal.

Muvuca Popular: Sem falar que pode vir um atraso em cima dessas justificativas, ou um atraso maior do que o que já existe de pagamento salarial após o dia 10.

Antônio Wagner: Mais do que nós estamos sofrendo com o atraso do dia 10 porque já é um atraso, isso não pode negar que prejudicou as finanças de todos os servidores que não conseguiram pagar 50% das contas que não consegue remanejar para o dia 10. Como as contas de banco, contas de financiamento, eles não aceitam o remanejamento, então ele está pagando juros, juros, juros. Isso vai virar uma série de ações de passivo jurídico para o estado, quando o governo sair ele vai deixar aí um passivo jurídico aí muito alto, por conta desses desmandos administrativos que o governo Taques vem cometendo.

Muvuca Popular: Ano passado a luta pelo RGA foi grande, vocês tiveram um movimento muito forte mas que não conseguiu o avanço na Assembleia. E este ano a luta continua, embora pareça inglória porque os deputados em sua maioria se posicionam abertamente ao lado do governo. O que vocês pretendem sabendo que essa sensibilização é quase impossível. Diante disso a questão não ganha um contorno mais político do que reivindicatório?

Antônio Wagner: Esse é uma posição pessoal minha, não é do fórum, eu entendo que a palavra de ordem é radicalizar um pouco, longe de um quebra-quebra, longe disso, eu não prego isso e jamais faria com líder sindical uma incitação a baderna. Mas eu acho que nós temos que radicalizar da seguinte maneira, primeiro conscientiza um pouco mais o servidor das suas perdas, pois só um servidor esclarecido pode se tornar um servidor indignado, e participativo dos atos. Acampar na assembleia é uma tônica também necessária até como prova de que aquilo é o nosso lugar. Entrar e não sair, durante dois ou três dias, sair só com ordem judicial, acho que é uma tônica, tenho falado isso e tenho usado inclusive carro de som para pregar isso para ver quem tem coragem a se dispõe a fazer um enfrentamento nesse nível de radicalização política. Segundo ponto, nós temos que expor em todo o estado os deputados que receberam recursos por conta das obras superfaturadas, estamos sendo muito lenientes com as denúncias que foram postas, muito lenientes, a gente deveria ter colocado outdoor, espalhado plaquinhas com cara desses deputados aqui, e nós vamos fazer. A CBS já me deu autorização para expor essa turma toda aqui, já deu autorização e disse ‘’pode fazer’’ a gente banca, do que você precisa? Primeiro vamos colocar a cara dos deputados federais que votaram nas reformas trabalhistas na terceirização, aqui nessas vias públicas eu vou colocar a cara de todos e depois a cara dos deputados, escancarar como o Muvuca faz com o governo Taques. Eu acho que precisa fazer uma leitura mais técnica da liberação de emendas do estado, quando elas aconteceram, quanto custo cada voto que o governo está conseguindo, porque quem criticava a Dilma por liberar emendas e liberar cargos para a turma quando votava as medidas do governo federal e eles simplesmente foi um demagogo nessa parte, porque ele usa a mesma prática e aqui fica muito mais fácil de você visualizar porque ele não libera as emendas dos inimigos políticos, dos adversários políticos e libera emendas chantageando os deputados estaduais fazendo reunião toda vez que tem votação polêmica na Assembleia para liberar emenda. Eu não consigo entender deputado estadual colocar emenda de 2,3,4 milhões vendendo a sua dignidade política para o governo dessa maneira. E o outro grande crime nisso tudo, a gente tem que começar a expor esses deputados até para ver se eles criam um pouco de coragem para confrontar o governo. É saber que uma série desses deputados não vou citar nomes, mas é de conhecimento público que foram chantageados inconstitucionalmente pelo governo através do grampo e atrás dos processos que esses deputados já tinham do governo anterior. Processos criminais. Tem processo sendo seguros para se manterem como base de apoio dentro da assembleia legislativa. Acho que a sociedade precisa compreender também essa articulação que o governo tem feito. Eu sei as consequências disso, eu conheço os riscos que eu corro fazendo essa fala mais cristalina, mas eu não vou deixar de fazer até porque eu acho que sou um defunto caro, se matarem eu sei que uma turma bacana da polícia federal vai investigar isso até achar alguma coisa aí. Então as pessoas têm que saber que sou um defunto caro e essa conversa eu já tive com nossa ‘’companheirada’’ lá de Brasília que se alguma coisa acontecer é por conta da luta política porque eu não tenho inimigos.

Fonte: Muvuca Popular

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